Atividade 1 Repentina - Karolinne Pedrini

 Peguei caderno e caneta. Os dedos não estão engessados pois tenho escrito a mão já há algum tempo. Trocando os teclados pelas palavras desenhadas pelos meus próprios dedos. O convite é falar de mim. E não posso fazê-lo sem antes meus olhos marejarem um pouco. Falar de mim. De mim! Parece e é difícil. Enrolo, desvio o foco, me distraio com o barulho da vizinhança e do meu filho animado para ir passear com o pai. Tudo para mudar o foco. E o foco é falar de mim. Acho que posso falar de mim hoje, no hoje. O tempo está nublado, assim como meu interior, meio acinzentado, chuvoso. Mas o clima está fresco, agradável. Estou nessa ambiguidade. Dentro, fora. Fora, dentro. Sou mulher, esposa, mãe e algumas outras possibilidades. Mas essas três se sobressaem no momento. Também já fui profissional, psicóloga, clínica. Por quase 05 anos. Mas há quase 03 estou imersa em meu lar. Sendo que neste ano 2022 estou dando os primeiros suspiros externos. Extrapolando o território. Além casa. Pequenos passos incertos. Ou certeiros. Quando saberei? O que sei é que estou pouco entregue a mim mesma. Mas entregue ao filho. Aos filhos. Ao esposo. Tenho anseios próprios, mas talvez ainda não alcancei coragem suficiente para concretizá-los. Ou talvez esse ainda não seja o (meu) momento. Seja o deles. Ou o nosso. Não sei, realmente não sei. Sinto falta da realização profissional, mas também me sinto completa aqui dentro. Por isso eu disse: ambiguidade agradável. Só não sei agradável até quando. Ao mesmo tempo acho que já não está sendo mais. Em meu ventre habita um novo ser. Uma menina. Uma bebê. Consciente e necessariamente, vou postergar alguns planos, conciliar alguns. Ser mãe tem sido, para mim: entrega, renúncia, satisfação, prazer, trabalho, lazer, abdicação, servir, dar, doer, dor. Amor, potência, clausura, mudanças, nuances. Os dois (mil) lados da moeda. Dentro fora fora dentro. Escrevo e me leio. Percebo os desencontros, devaneios, contradições. Hoje eu sou contradição. Hoje não, agora. Mais tarde, já não sei... Já nem lembro quem outrora fui, não tenho ideia de como futuramente serei. Mas hoje quem sou precisa de muito. Precisa reconstrução, remodelar, fortalecer, reencontrar, reanimar. Ser leve, brisa e vento potente e circulante. Escrevi, escrevi. Todas essas palavras. As senti. Experimentei. Sensações, ideias. Lembranças e expectativas. Até (que) (aqui) não foi tão difícil. Foi gostoso desenferrujar, escrever e teclar. Expressar. Me.

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