Atividade de casa 1
Sobre fotografar momentos
Fernando Pessoa dizia que o poeta é um fingidor. Eu vou além: afirmo que o poeta é um observador. Nós temos a capacidade de fotografar momentos com a nossa retina e imprimi-los no papel em forma de palavras. Hoje decidi imprimir um momento que já está gravado na minha mente a algum tempo: aquele instante em que te admirei por alguns instantes.
Era noite, a lua cheia iluminava o céu e a sua imagem do outro lado da rua, fumando um cigarro barato como se tragasse a vida e todos os prazeres que ela traz. Você usava uma camisa preta, bermuda também escura e havaianas. Seus óculos redondos e pequenos estilo Lennon estavam pendurados na gola da camisa e, por isso, apesar de olhar em minha direção, não percebeu que eu havia pousado meus olhos em ti. Não sei por quanto tempo fiquei ali, estatelada, observando essa figura que fazia o meu coração ter uma razão para bater, gravando na minha mente a sua imagem e guardando-a no lugar mais sagrado do meu peito; o que eu sei é que senti o tempo parar, a Terra pausar o giro e tudo ao meu redor desfocar. Até que você terminou de fumar, colocou os óculos e me olhou. Eu, tímida, desviei o olhar para você não reparar que eu te reparava. Agora descrevo esse momento com você ao meu lado...
E esse seria o final dessa história se Pessoa estivesse errado. Mas não estava. O poeta é um narrador-observador-fingidor. Eu finjo que você está aqui e você, sem saber, vive longe de mim.
- Leticia Barreto
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVocê esqueceu de colocar seu nome na postagem. Adorei a ideia de considerar o olhar como uma fotografia, uma observação.
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