Atividade Repentina 1 — Olga A. Calderim
Bocal
Há um labirinto em cada um de nós, o meu é assim, meio paralítico, meio ranhoso; quando ingresso, o portal se desfaz nas bolhas que lavro no céu da boca; posso sentir seu penetrar nas paredes rosadas, no teto reluz uma diretriz em sânscrito — sempre há uma primeira palavra inteligível, porém, inclinada a se emancipar; no impulso de seu desatino ela toma fôlego, um fôlego asmático; à medida que os degraus persistem, as larvas se empertigam no solo quase estéril, espicham o pescocinho como goma, na décima mastigação perdem o gosto e "bum!", explodem na cavidade a borracha e o vácuo preenche o palato. Há um labirinto em cada um de nós, o meu é assim, silencioso e obstrutivo, morre antes mesmo de ganhar vida; se cala no invólucro da própria voz.
Excelente as interseções que você faz com as ideia de boca, cavidade, bocal, paredes rosadas, fôlego, asma, labirinto e voz. Gostei muito
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