Atividade repentina 2 - Karen Márcia de Carvalho Gomes

 

    Ela chegou sem planejamento a este mundo, era a filha do meio dos três filhos dos seus pais. Dizem que os filhos do meio podem ser meio problemáticos, talvez por ter que disputar com os irmãos a atenção dos pais, mas ela não era assim, era boazinha, estudiosa e buscava incessantemente não causar problemas. 

    Sua mãe tratava as suas duas filhas como se fossem gêmeas, pois havia somente um ano de diferença entre as duas e talvez por isso a menina tenha se agarrado muito à sua irmã mais velha, que para ela era como um farol que a orientava. 

    Com o passar do tempo teve que se desgarrar, e a caminhada solo a assustava bastante, mas se esforçando para ser menos tímida e com o seu olhar quase sempre gentil sobre a vida, conseguiu crescer e conquistar a sua autonomia em quase todos os aspectos. 

    Hoje é uma mulher, que ainda vê traços daquela menina magrela, com seu sorriso de metal, que gostava e ainda gosta de fazer rir, e que hoje tenta e acha necessário conhecer e aceitar todas as suas facetas. Já não acha mais necessário ser só a boa menina para agradar a todos, reconhece cada vez mais a sua sombra e a sua luz, em processo de desvendar-se integralmente, e tem essa meta de vida como horizonte.

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