Atividade repentina 2 - Giselle de Paula
Estudei com aquela menina quando tínhamos seis anos. Até hoje, minha melhor amiga. Conheço-a muito bem. Bom, até onde posso dizer. Todos carregam segredos, com certeza. Ela também carrega os seus, os quais provavelmente esconde de mim.
Quando criança, ela tinha os cabelos lisinhos e loiros e andava com aquele cabelo esvoaçante. Menina alegre, sorridente, falante. Louquinha, confesso, mas sua companhia me fazia bem. Tivemos problemas quando a adolescência chegou. Conflitos de interesses, amizades que entraram no meio para atrapalhar e, ao formar e mudar a personalidade, fomos nos distanciando aos poucos, mas conseguimos nos reaproximar.
Somos tão diferentes. Eu sou mais tímida, enquanto ela é extrovertida, mas também sabe ser fechada com pessoas que não conhece. Seus cabelos, antes lisinhos, cachearam, talvez pela mudança hormonal da adolescência. Seus maiores defeitos? Muitos. Seria impossível listar todos, mas são defeitos que não atrapalham nossa convivência. Ela é, muitas vezes, insensível e não sabe ser sutil ao dar um conselho. Não pisa em ovos ao falar comigo, o que é um ponto negativo, mas também pode ser positivo. Dela, tenho sinceridade no que é bom e no que é ruim. Já foi mais sem noção, brigamos muito por isso. Com o tempo, ela aprendeu a relativizar as informações e somente falar o que é necessário, mesmo que às vezes dê alguma bola fora.
Aspectos físicos? Olhos cor de mel, cabelos claros, que constantemente estão em mudança. Já teve cabelo de todas as cores, o que imagino ter a ver com certa instabilidade emocional de sua pessoa. Olhar inquieto, curioso, corpo agitado. Sempre buscando algo novo. Fica nervosa com qualquer sinal de monotonia, o que às vezes é um empecilho para dar continuidade a relacionamentos ou projetos pessoais. Ela sempre reclama. Vai de zero a dez e de dez a zero muito rápido. Mas é assim que ela é. E é minha melhor amiga.
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