Atividade de Casa 2 - Brenno Martins
Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:
- Alô! Sim, é o João.
Curioso como sou, fiquei perto da janela com vista pra rua. O rapaz parecia surpreso com a ligação. Encostou no muro da minha casa, colocou no chão uma sacola que carregava e se ajeitou, como se quisesse prestar mais atenção na ligação, e seguiu falando.
- Sim! Fui eu mesmo! É uma quantia boa, mas não sei o que fazer. Pensei em não falar com ninguém por agora.
João olhava para os lados como se temesse encontrar alguém, olhou até mesmo para minha casa, mas de onde estava não conseguia me ver. Ele demonstrava nervosismo em sua voz, mas escutava atentamente aquela voz do outro lado da linha. Num assunto um pouco estranho, dizia como estava com medo de alguém vir atrás dele, e que precisava ir para casa rápido.
- Carlos, o dinheiro já está comigo! - disse nervoso. Mas eles vão vir atrás de mim, tenho certeza. Deu pra ver no olhar daquele homem, ele não ia perder assim.
Fiquei um pouco preocupado com o rumo dessa história. Vi João tirar daquela sacola um pequeno pacote, tinha a grossura de um tijolo, com elásticos mantendo as notas juntas.
- 100! São notas de 100 reais, cara - ele sorria animado com aquele dinheiro em mãos. Está bem, eu te mando a localização, mas vem rápido.
Poucos minutos depois um carro cinza se aproximou do local, encostou na calçada, e parou. O motorista abriu o vidro da janela, se mostrando um homem sorridente, talvez com seus 26 anos. Ao mesmo tempo que pareciam estarem apressados para saírem dali, continuaram a conversa.
- Você nunca mais vai voltar lá, João. Chega de apostas - Carlos sorria olhando o dinheiro, mas parecia bravo, como se aquele sufoco e aquela situação fossem recorrentes.
- Olha isso aqui! Eu não posso fazer nada se sou bom com cartas. E eu nem preciso trapacear!
Eu continuei escutando a conversa um pouco mais aliviado. Achei até um pouco engraçada aquela situação. Pelo que entendi, João estava num boteco da área e havia jogado baralho apostando com um grupo de pessoas - e ganhado de quase todas. Mesmo saindo vencedor e com bastante dinheiro, se meteu em confusão pelo seu grande ego e teve que sair às pressas para não acabar a noite com um olho roxo. Os amigos entraram no carro e saíram, felizes, com o dinheiro, e mais importante, sem nenhum ferimento. E saíram na hora certa, pois pouco tempo depois um grupo de três homens passou pela rua, caçando algo em cada sombra que viam. Dessa vez João se deu bem.
Breno gosto muito de sua escrita. Continue assim. Parabéns.
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