Atividade de casa 2 - Giselle de Paula
Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:
- Alô! Sim, é o João.
Ouço passos. O João fica batendo o pé na calçada. Aparenta estar nervoso.
- Se foi ela quem pegou o dinheiro com você, cobre dela! - disse, aparentemente já desligando.
- Você me disse que não ia mais pegar dinheiro emprestado. Você mentiu pra mim. Falei que ia te ajudar enquanto você estivesse apertada. - disse de novo o tal João no telefone. Chego na janela para ver quem é o tal João. Um homem alto, robusto. Bem bonito até. Como estou bem perto, escuto a voz do outro lado do telefone. É voz de mulher. Será que é a esposa? Ele tem uma aliança de ouro na mão esquerda. É casado.
- Isso não é omitir, Aline. É mentir. Se você fala que não vai fazer uma coisa e você faz, você está mentindo, não omitindo.
A discussão continua por cerca de duas horas a fio. Escuto tudo. Durmo, acordo. Fico pensando. Mentira ou omissão. Não sei. Engraçado como uma coisa simples desencadeia uma grande discussão. Vou comprar pão. Carros estacionados, um fusca vermelho. Amo fuscas. Fusca azul é igual a soco. Vejo João na padaria. Novamente está ao telefone.
- Muito problema pra minha cabeça, Aline! Você tá arrumando muito problema pra mim!
Peço três pães de sal. Volto. Pego a manteiga na geladeira. Está dura. Corto como se fosse um pedaço de queijo e coloco no pão. Penso em João. Aparentemente João e Aline estão em crise.
Adorei o seu texto! Bem instigante, despertou o desejo de saber mais sobre João e Aline.
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