Escrita repentina [11/06] Lucas Guilherme
Sinto-me como o cronista e adio
mais uma vez a escrita ao me perguntar se devo empregar a primeira ou a
terceira pessoa. Empregar, que palavra engraçada em utilizar nesse momento,
nesse país em que o desemprego assola milhões de brasileiros, mas a notícia
contenta-se apenas em dizer que houve um recuo em relação ao trimestre
anterior. Recuo? Talvez o mesmo dos personagens escritos por Sabino que pedem
uma fatia de bolo mas se escondem ao fim do bar. Assolam, assolam... como o peso dessas
palavras escritas nos jornais eletrônicos que nada gravam, logo vão se perder,
logo vão se esquecer... e voltar a pergunta ingênua: em que pessoa devo
escrever neste sábado de junho de 2022. Ao menos, por agora, por recordar desse
emprego, desse recuo, do que assolam mais do que primeiras e terceiras pessoas,
uma escrita se antecipa.
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