Atividade Repentina 2 (25/06)
Aquela menina, pequena, magrinha e franzina vivia no mundo da lua. Alguns olhavam aquela menina como olham para qualquer menina, mas eu a olhava com olhar de quem lê poesia. Ela era toda ela, não se importava com nada, apenas em brincar de viver a vida a sua maneira. Parecia que ela morava em um planeta onde a única nativa era ela; eu era estrangeira.
Aquela menina, pequena, magrinha e franzina tinha a pele cor de doce de leite e os cabelos curtos, enrolados e escuros; mas deixemos de lado a aparência. Aquela menina era dona de uma personalidade singular. Certo dia, inventou que só queria comer linguiça. A mãe fez outros pratos, e ela não comia. A barriga roncava, mas ela esperava pela linguiça. Até que a mãe foi vencida. E assim era ela: não dava o braço a torcer nem se Jesus descesse dos Céus e mostrasse, com calmaria, que ela estava errada. Geniosa, orgulhosa, áspera e amarga: assim chamavam aquela menina. Mas eu a via de outra perspectiva. Eu fazia de tudo para ser amiga daquela menina. Mas ela me afastava. E de tanto me afastar dela, me afastei de mim. De tanto ouvir os adjetivos aos quais ela era conhecida, já não se via aquela menina.
Até que hoje em dia, quando vou ao lugar onde eu costumava vê-la, já não a encontro. Olho no espelho e me vejo. Mas aquela menina. pequena, magrinha e franzina já não está mais lá.
- Leticia Barreto
A menina, hoje, ocupa o corpo de uma mulher, mas ela ainda está lá, ela existe.
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