Atividade repentina 3 - Emar Vigneron

 

Tragédia

Recebo um telefonema avisando que o prédio, onde tenho minha loja, está pegando fogo. O desespero toma conta de mim e saio correndo. Não posso subir para saber em que estado se encontra tudo o que possuo. Há muitas pessoas na rua. Tento obter informações, mas o tumulto é grande. Bombeiros correndo, pessoas histéricas gritando, curiosos observando, muitos rezando e dizendo: Deus, que desgraça! Mas nada de concreto consigo saber. Vejo as labaredas do fogo e, mentalmente, cada peça da loja sendo destruída. Ouço vozes, mas não consigo compreender o que falam. Alguns até riem. É uma tragédia. Soube, depois, que havia perdido tudo.

 

Emergência

O telefone toca na corporação. Urgência. Um prédio na 25 de março estava pegando fogo. Saímos correndo e, como bombeiros, vamos enfrentar mais uma possível desgraça. Ainda não sei a extensão da situação.

Chego até o local e, pasmo, ouço gritos, desespero e muito fogo. O fogo atingira outros prédios e ruas foram fechadas. Subi e o que vi era a destruição dos sonhos de cada proprietário. Continuamos tentando apagar o incêndio. Ao descer, ainda com as imagens da destruição em minha mente, vejo a diversidade de cada face para a qual eu olhava. Havia medo, curiosidade, lágrimas.

Não há tempo a perder. O fogo foi apagado após horas de trabalho. Muitos foram socorridos e, agora, é hora de socorrer os bombeiros que se machucaram. O pânico, desencadeado por aquele incêndio, foi algo apavorante. Muitas lojas, algumas pessoas e, ao redor do prédio, o medo de que o fogo se espalhasse.

Saímos de lá, mas meus olhos não se despregavam dos que ficaram e do que restou de um prédio repleto de lojas. Sinto o cheiro da fumaça e me apiedo das lágrimas em alguns rostos. Mas não tenho muito tempo para pensar pois, daqui há pouco, novos incêndios, desespero, medo e dor.

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