Atividade de casa 5 - Kayo Oliveira

 O ônibus para heróis e vilões.

Estávamos todos cansados. A luz apagada do ônibus fazia com que a luz luar fizesse as roupas cintilantes brilharem. O homem ao meu lado se cobria com sua capa vermelha. Ele não estava machucado, mas respirava fundo e pesado. Sobre nós, dois arcos e duas aljavas ameaçavam cair. Pertenciam a um homem e uma garota, os quais pareciam pai e filha, ou um homem velho com sua amante, que se sentavam a nossa frente. Os rostos desses dois estavam marcados por cicatrizes, pontos cirúrgicos e algumas pequenas feridas abertas e sangrando.

Corpos esculturais, todos exaustos e jogados em seus assentos. Seus rostos permaneciam lívidos e complacentes com suas convicções. Até aqueles que carregavam mazelas e sombriedade no ínfimo de si, permaneciam lívidos e convictos.

-Você não pode ficar aqui. – o motorista encapuzado disse para mim, com o ônibus parado em lugar qualquer – Esses heróis e vilões batalharam dias, semanas, se encontram cansados. Você faz o bem por meios caóticos e semeia caos disfarçado de bem. Não tem lugar entre os genuínos bons ou maus.

Olhando pela janela, pude ver outros como eu. Pareciam ainda mais cansados que os outros, em nível insano e agitado.

-Eles são privilegiados por se dizerem plenamente algo. Enganam a si e aos outros. – comentou um homem, carregando um alienígena preto nas costas – Ninguém é só bom ou mau o tempo todo, mas eles preferem manter as aparências, por isso cabe a nós vivermos à margem, sem o privilégio de sermos levados para casa em ônibus confortáveis... Por isso também somos os anti-heróis. A gente sabe se divertir mais, de qualquer forma.

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