Dona Vanilda era respeitada por todos onde morava, estava sempre desdobrada para os afazeres da igreja. Fiél a Deus e ao seu marido, passava suas manhãs e tardes na igreja, e a noite, cuidava do seu lar e de seu esposo. Sua rotina era a mesma, até mesmo o caminho que traçava nas ruas. Sempre subia a rua do Barão Verde, onde ignorava com desdém os pedintes da esquina, passava pela praça da esperança contornando os abandonados que repousavam nas sombras das árvores e chegava por fim até a Igreja que frequentava, onde passava horas pedindo a Deus misericórdia pela vida dos pobres, os que, mesmo pobres, ainda entregavam tributos na igreja. Por anos, Dona Vanilda manteve a boa reputação de sua família. Certa vez, ao descobrir que uma sobrinha estava grávida sem ter se casado, mandou a moça para morar com os parentes que viviam no interior, antes que toda a cidade ficasse sabendo do caso. E poucos sabem que a mesma foi a culpada pela perda repentina e misteriosa do bebê, que não teve a ...
A idade e a vida Andando pela rua, observo o bairro despertar. Vejo uma senhorinha saindo de sua casa acompanhada apenas de um gato pequeno e cinza, que se sentou na calçada como se desejasse um banho de sol. Sua dona olhava para os lados como se procurasse algo na rua deserta e silenciosa, como se ansiosamente esperasse que a agitação do dia chegasse até ela. Quando percebi, estava pensando sobre a velhice, a solidão e a falta de agitação na rotina, e me pareceu terrível a ideia de envelhecer e não ter companhia nas manhãs. Desviei o olhar enquanto entrava na padaria, comprei alguns pães e me coloquei no caminho de volta para casa. Agora, a senhorinha segurava o gato no colo como um amado filho e sorria enquanto entrava no seu quintal. Antes de chegar até a minha casa percebi que existem várias formas de se estar acompanhado, e que nem tudo é solidão, às vezes é paz.
Comentários
Postar um comentário