“Reflexado” O café acalentador sobre a mesa esfriava enquanto eu o observava na mesa a frente. Era um observar delicado e sutil. Aquele garoto na mesa em frente a minha, sentado de perfil, parecia misterioso tanto quanto se sentia exposto, como um quadro milenar em destaque no museu, quanto mais exposto estava, mais indecifrável se tornava. Tomei o ato de entendê-lo como um desafio. A mochila, colocada despreocupada e desajeitadamente ao pé da cadeira, parecia vazia. Pendurada a tiracolo havia outra bolsa, essa estava estufada, e ele manuseava com cuidado. Enquanto comia, aos poucos, ele parecia se esconder, como uma tartaruga se protegendo da luz solar forte em sua casca. Ao terminar de comer, se levantou para pagar a refeição e tirou da mochila vazia a carteira. “Quem é que coloca os valores em uma mochila vazia e a deixa em qualquer canto?” - eu me perguntava, girando a cabeça para manter meus olhos fixos no rapaz até onde desse. Terminei o café e me sentei no banco da praça, ...
Vida O dia , acordar, que vontade de continuar a dormir. Mas não posso, pois a responsabilidade não deixa. Corro, faço tudo o que tenho que fazer, mas não gosto. Os compromissos são tediosos, mas impossível adiá-los. Triste, me arrasto no peso que tudo isto representa. Sonho em que chegue logo a hora de voltar a dormir. Vivo quando durmo. Dormir é fugir das dores e dificuldades da vida. Corre, tempo, por favor.
Não sabia muito bem por onde começar a escrever. Fitava os livros empilhados na estante e alguns outros espalhados pela escrivaninha em busca de alguma referência, talvez. Certos livros disputam lugar na mesa branca com diários de classe azuis e cópias de provas que sobraram nas últimas semanas, claros lembretes das responsabilidades que tomavam o lugar do escrever .
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