Atividade Repentina 4 - Luiza Pitangui
Barulhenta Polis
Rosalinda respirou fundo, caminhava pelas ruas na madrugada fria e silenciosa; o sol não nascera, o asfalto ainda estava gelado e úmido pela noite chuvosa.
Agora, a solitude era protagonista da cidade, não era hora ainda de ligar a ignição, não era hora do tráfego pesado de transeuntes.
No silêncio, as luzes do semáforo piscava, as cores mais brilhantes que os postes; a civilização dormia enquanto Rosalinda ainda ouvia.
Não o canto dos pássaros, eles nem estavam acordados, muito menos a Maria Fumaça, ela só passaria daqui a meia hora; não, de fato a cidade estava silenciosa, mas para Rosalinda, a música tenebrosa de sua solitude agitava seus ossos enquanto caminhava rápido.
Ela parou, respirou e se sentou, agora ouviu um ruído real, quase palpável; o som da madeira rangendo quando se pôs a repousar no banco da praça.
Com forme o sol, em sua lenta dança, se levantava; sua mente gradualmente estava a se aquietar.
Sua mente e a cidade trocaram de lugar, um sorriso rasgou-lhe a face; os pássaros já estavam a cantar e carros a rodar, dessa vez o semáforo tinha som e a chuva, gelados e grossos pingos, acordava aqueles de volta a realidade; aqueles que se perdiam na própria barulhenta polis mental.
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