Atividade repentina 5 - Kayo Oliveira

 Gritos ao vento

A música passava lenta e assertiva pela minha garganta. O vento no rosto parecia congelar cada canto. A melodia, ouvida a quilômetros, não permitia conversas verbais. O cantor mexia as mãos conforme as notas subiam ou desciam de tom. Imitando pés de bailarina, eu podia vê-los ao longe, abraçados e aos beijos. O céu de sol poente deixava uma aura rosácea romântica ao redor de todos, mas o frio ainda me acertava ao rosto, cortante.

Um nó na garganta e a boca seca. As borboletas no estomago voltam a ser lagartas e me corroem. Na minha cabeça, eu corro para a praia e grito forte, até perder as forças e cair na areia molhada. Agora eu estou no palco, os holofotes me cegam, aquecem e fazem minhas lágrimas evaporarem em raiva. Isso nunca vai acontecer novamente, diz meu bilhete metal.

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