Atividade de casa Final - Brenno Martins



Dona Vanilda era respeitada por todos onde morava, estava sempre desdobrada para os afazeres da igreja. Fiél a Deus e ao seu marido, passava suas manhãs e tardes na igreja, e a noite, cuidava do seu lar e de seu esposo. Sua rotina era a mesma, até mesmo o caminho que traçava nas ruas. Sempre subia a rua do Barão Verde, onde ignorava com desdém os pedintes da esquina, passava pela praça da esperança contornando os abandonados que repousavam nas sombras das árvores e chegava por fim até a Igreja que frequentava, onde passava horas pedindo a Deus misericórdia pela vida dos pobres, os que, mesmo pobres, ainda entregavam tributos na igreja. 

Por anos, Dona Vanilda manteve a boa reputação de sua família. Certa vez, ao descobrir que uma sobrinha estava grávida sem ter se casado, mandou a moça para morar com os parentes que viviam no interior, antes que toda a cidade ficasse sabendo do caso. E poucos sabem que a mesma foi a culpada pela perda repentina e misteriosa do bebê, que não teve a chance de ver a luz do dia. Sempre que algo desandava tempos depois tudo se arrumava de forma estranha e Dona Vanilda ia então até a Igreja agradecer pelas bênçãos de Deus, que livrava sua vida da inveja, fofoca e mau olhado dos moradores da cidade. No dia que a verdade ainda havia de surgir a mulher andava pelas ruas batendo os sapatos com mais força que o normal, havia descoberto que seu marido estava com outra enquanto ela visitava um orfanato, chorando pela vida das crianças com discursos sobre o direito à vida digna que elas tinham.

Enfurecida, parecia não perceber o mundo ao seu redor. Arrastou consigo pelo caminho a banca de frutas de Jorge, atropelando ferozmente todos em seu caminho. Gritou ao vento sua indignação quando um rapaz de bicicleta entrou no seu caminho, a direcionando para a rua, e quase reclamou do carro que a lançou pelo ar, mas não teve tempo. Rodeada por curiosos, Dona Vanilda dava seus últimos suspiros enquanto estava jogada no asfalto quente. Antes do socorro aparecer, antes da vida sair de seu corpo, ela viu seus pertences sendo levados por estranhos, sua bolsa cara, suas jóias, seu celular e carteira. Morreu sozinha e sem nada. Tudo que se falava na cidade era sobre a morte de Dona Vanilda, até que seu marido Humberto e uma moça até então desconhecida foram encontrados mortos. Assassinados. 

Dessa vez Dona Vanilda não teve a chance de ir até a igreja orar, contar sua história ou coletar dinheiro. Além do mais, se não tivesse sido atropelada, estaria presa. Naquela noite o céu recebeu mais orações, muitas pessoas agradeceram pelas bênçãos de Deus, pelo livramento da inveja, fofoca e mau olhado da ex-moradora da cidade.


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