Postagens

Mostrando postagens de junho, 2022

Escrita Repentina 2 - Brenno Martins

Era apenas mais um dia, assim como todos os outros de sua vida. O vi entrar na sala sorrindo, sentar-se na última cadeira e permanecer em silêncio. O magro rapaz parecia ter um peso extra, algo que pesava bem mais que seu esguio corpo. Os olhos desatentos não notavam a inquietação e os movimentos do seu pé esquerdo que não parava no chão, emitindo o som de batidas repetidas. Mas eu sei o que se passava ali, aquela inquietação vinha da vontade de fazer mais, de ser mais. Estar sentado naquela cadeira parecia imensa tortura, já que haviam tantas coisas a serem feitas, e ele estava ali, preso num momento não tão crucial em sua vida. Tentava não transparecer desinteresse, que realmente não era o caso. Ele estava apenas sobrecarregado, com olhos fundos de quem não dormia e unhas roídas, parecia não se conectar a nada, apenas aguardando o tempo passar.

Atividade de Casa 1 - Brenno Martins

A idade e a vida Andando pela rua, observo o bairro despertar. Vejo uma senhorinha saindo de sua casa acompanhada apenas de um gato pequeno e cinza, que se sentou na calçada como se desejasse um banho de sol. Sua dona olhava para os lados como se procurasse algo na rua deserta e silenciosa, como se ansiosamente esperasse que a agitação do dia chegasse até ela. Quando percebi, estava pensando sobre a velhice, a solidão e a falta de agitação na rotina, e me pareceu terrível a ideia de envelhecer e não ter companhia nas manhãs. Desviei o olhar enquanto entrava na padaria, comprei alguns pães e me coloquei no caminho de volta para casa. Agora, a senhorinha segurava o gato no colo como um amado filho e sorria enquanto entrava no seu quintal. Antes de chegar até a minha casa percebi que existem várias formas de se estar acompanhado, e que nem tudo é solidão, às vezes é paz.

Atividade repentina 2 - Sáyva Souza

  Melancolia  Era difícil olha-la, sempre tão só com seus pensamentos fazendo companhia, com toda sua melancolia. Essa poderia ser uma boa palavra para descrevê-la, era distante, as vezes irritadiça, mas sempre triste. Ela era uma mulher, com rosto de menina, voz suave e doces sorrisos. Eu queria pode chegar perto dela, mas ela não deixava, se afastava, se dizia perigosa para mim, então, eu apenas a deixava, e cuidava dela de longe, já que ela odiava que outras pessoas se preocupassem, logo ela, que se preocupa com tudo. Poderia ser até ser uma ironia. Quando se pergunta algo, ela de prontidão diz estar tudo bem, mesmo que em seus olhos demonstrem o contrário, mas, o que mais eu poderia fazer? De toda forma, apenas o tempo poderá dizer. 

Atividade de casa 2 (para ser entregue até o dia 11/07/2022)

Imagem
 Você conhece a palavra francesa Flâneur ? Ela caracteriza a pessoa que anda pela rua com o olhar errante, vadio, observador, mas não focado. Observa o moço que passa, o gato que mia, as roupas na vitrine, a gentileza da dona Maria etc. Dizem que o cronista João do Rio foi um dos nossos maiores flâneurs .  A minha proposta é a seguinte: tire uma semana para ser um/uma flâneur em sua cidade, observando as pessoas e como elas agem. Chegue em casa e anote suas observações no caderninho, se possível todos os dias.  Depois de uma semana, releia as observações e monte um/a personagem para um história que vai começar assim: "Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi  um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João.  ...

Sobre a aula de 25/06- Profª Ana Poltronieri

 Olá, pessoal!  Na aula de sábado, dia 25/06/2022, falamos sobre o ato de escrever. Vimos que Clarice Lispector disse que só se aprende a escrever escrevendo. Também lemos um conto dela cujo título é Felicidade Clandestina. Vimos como Clarice vai montando uma das protagonistas pouco a pouco, em gotinhas, e não de uma vez só.  Depois, fizemos uma atividade repentina cujo objetivo era montar você mesmo/a como personagem a partir da perspectiva de outrem.  O objetivo da aula foi  ver a estratégia de Clarice para montar a personagem "menina ruiva" do conto analisado.  A vocês, desejo boas férias!  Abraços fraternos.  Ana Poltronieri

Atividade 2 repentina - Eduardo Crespo

Hóspede Apertava-me fortemente em seus braços; gostava do silêncio, mas não queria ficar sozinho. Envolvia minhas mãos ao redor de seus ombros, afagava metodicamente os seus cabelos e repetia palavras de consolo que nem eu sabia se eram realmente verdade. Tudo que eu sabia era que estar ali, diante dele, dava-me ânsia. Suas visitas eram fora de hora, irregulares: às vezes, dava-lhe adeus para vê-lo depois de meses; outras vezes, mal ia embora e já estava de volta. E se hospedava, por horas ou dias, trazendo toda aquela melancolia excessivamente pesada em sua bagagem. E procurava, procurava por algo, pois sabia que uma simples mancha seria motivo suficiente para prolongar sua estadia por mais algum tempo. E quando encontrava, "O que é isso aqui? Você já tinha visto isso?”. Entenda, não é falta de vontade. Eu, mais do que qualquer um, já tentei tranquilizá-lo, distrai-lo e até mesmo espancá-lo pra fora da minha Casa. Porém, ele sempre dá um jeito de voltar, com a bagagem ainda...

Atividade Repentina 2 - Daniela Soares

 Tagarelice Calada Quem a conhecia quando criança, esguia, cabelos cacheados, cheia de sardas pelo rosto, falava tão rápido que constantemente sua mãe lhe pedia para falar mais devagar. Na escola, a professora sempre chamava  a sua atenção: _ Menina, fique em silêncio! Você está atrapalhando seus colegas. Como gostava de falar, se metia em tudo, até no que não lhe era devido. Parecia até que tinha tomado as pílulas falantes da Emília. Hoje, adulta, já não fala mais tanto, a vida lhe ensinou a se calar. A experiência lhe proporcionou aprendizados, mas a inibiu de se mostrar também. Ela sente que ainda precisa achar um meio termo, pois necessita se expressar, gostaria de dar voz aos seus pensamentos e convicções, sem o mundo lhe julgar.

Atividade repentina 2 - Karen Márcia de Carvalho Gomes

       Ela chegou sem planejamento a este mundo, era a filha do meio dos três filhos dos seus pais. Dizem que os filhos do meio podem ser meio problemáticos, talvez por ter que disputar com os irmãos a atenção dos pais, mas ela não era assim, era boazinha, estudiosa e buscava incessantemente não causar problemas.       Sua mãe tratava as suas duas filhas como se fossem gêmeas, pois havia somente um ano de diferença entre as duas e talvez por isso a menina tenha se agarrado muito à sua irmã mais velha, que para ela era como um farol que a orientava.       Com o passar do tempo teve que se desgarrar, e a caminhada solo a assustava bastante, mas se esforçando para ser menos tímida e com o seu olhar quase sempre gentil sobre a vida, conseguiu crescer e conquistar a sua autonomia em quase todos os aspectos.       Hoje é uma mulher, que ainda vê traços daquela menina magrela, com seu sorriso de metal, que gostava ...

Atividade Repentina 2 - Jorge Basilio Lirio

  Simbiose      Ele conhece meu relógio biológico. Inclusive, suspeito que saiba o que andei bebendo em noites anteriores. Aos sábados matinais, é nítido que ele vem cheirar minha barba a fim de se certificar de que não me embrenhei com outros bichanos, ou se ainda possuo um resquício alcoólico que não o de cerveja.  Sim, ele também já reconhece o cheiro da minha cerveja.  Às vezes, ao final da tarde, nos sentamos juntos, um copo na mão, os olhos semicerrados, piscando lentamente, ora de um vazio existencial  —  ou no caso dele, de um sentimento ainda inominável, caro à espécie, uma mistura de tédio e prazer. Pensando bem, deve ser bom mesmo se recostar na barriga estufada do seu humano.      Como eu, ele também parece apreciar o aroma adocicado da bebida. Mas, nem sempre acerta o que bebi. Entre essas e outras, descobri que ele tem horror a vinho tinto. Ocorre que Aristeu é um pouco corpulento para a sua idade. Uma de sua...

Atividade repentina 2 - Giselle de Paula

               Estudei com aquela menina quando tínhamos seis anos. Até hoje, minha melhor amiga. Conheço-a muito bem. Bom, até onde posso dizer. Todos carregam segredos, com certeza. Ela também carrega os seus, os quais provavelmente esconde de mim.                 Quando criança, ela tinha os cabelos lisinhos e loiros e andava com aquele cabelo esvoaçante. Menina alegre, sorridente, falante. Louquinha, confesso, mas sua companhia me fazia bem. Tivemos problemas quando a adolescência chegou. Conflitos de interesses, amizades que entraram no meio para atrapalhar e, ao formar e mudar a personalidade, fomos nos distanciando aos poucos, mas conseguimos nos reaproximar.  Somos tão diferentes. Eu sou mais tímida, enquanto ela é extrovertida, mas também sabe ser fechada com pessoas que não conhece. Seus cabelos, antes lisinhos, cachearam, talvez pela mudança hormonal da adolescência. Seus mai...

Atividade repentina 2 - Kayo Oliveira

“Reflexado” O café acalentador sobre a mesa esfriava enquanto eu o observava na mesa a frente. Era um observar delicado e sutil. Aquele garoto na mesa em frente a minha, sentado de perfil, parecia misterioso tanto quanto se sentia exposto, como um quadro milenar em destaque no museu, quanto mais exposto estava, mais indecifrável se tornava. Tomei o ato de entendê-lo como um desafio. A mochila, colocada despreocupada e desajeitadamente ao pé da cadeira, parecia vazia. Pendurada a tiracolo havia outra bolsa, essa estava estufada, e ele manuseava com cuidado. Enquanto comia, aos poucos, ele parecia se esconder, como uma tartaruga se protegendo da luz solar forte em sua casca. Ao terminar de comer, se levantou para pagar a refeição e tirou da mochila vazia a carteira. “Quem é que coloca os valores em uma mochila vazia e a deixa em qualquer canto?” - eu me perguntava, girando a cabeça para manter meus olhos fixos no rapaz até onde desse. Terminei o café e me sentei no banco da praça, ...

Atividade 1 repentina - Gabriel Coutinho

  Caixa Preta O que eu poderia falar dele que já não saibam…? Afinal, é como um livro aberto… não, isso é mentira. A verdade é que ele finge ser um livro aberto. Sua personalidade certamente não é segredo: uma timidez incorrigível, que só pode ser esquecida sob a paixão intensa de uma conversa interessante… mas, de novo, isso não importa. Isso todos já conhecem muito bem. Há algo, no entanto, que continua trancado a sete chaves. No meio desse livro aberto há um capítulo inteiro escrito com tinta da cor da página, de modo que torna impossível a leitura. De vez em quando ele deixa subir para a margem desse rio profundo alguns defeitos palatáveis: seu egoísmo, sua arrogância, sua raiva, sua capacidade brutal de ferir os outros de formas inimagináveis… ele faz isso só para desviar a atenção do verdadeiro mistério. Desde que eu descobri a existência dessa caixa preta de segredos sombrios, comecei a instigá-lo a revelar aquilo a alguém. Não precisava ser para mim, mas pelo menos...

Atividade de casa 1 - Juan Carlos C. Dos Santos

 Moça da cantina  O cenário de uma instituição de ensino no período de férias se distanciava muito do que costuma ser em seu período letivo. As salas repletas de gente, o barulho de bola nas quadras, os burburinhos espalhados pelos corredores, pátio e ginásio, tudo  isso estava distante do que costumava ser. Agora a simples funcionária cantina, não tinha muitas obrigações além de abrir e fechar o estabelecimento e esperar o seu turno passar.  Ela ocupava suas horas de trabalho distraída observando as poucas pessoas que atravessavam o vasto pátio e usando o celular, às vezes realizava uma venda ou outra, mas nada comparado como antes. Me pergunto quem era a mulher por trás da touca e o uniforme, "qual é a história que ela trazia consigo?", talvez sejam coisas que eu jamais saiba. Com a baixa movimentação percebo que o seu olhar é distante, o corpo está alí, mas a alma vaga por Deus sabe onde. Seriam contas a pagar? Problemas de família? Estudos? Ou o futuro? Eu como u...

Escrita repentina 1 - Juan Carlos C. dos Santos

 Caminhos São vários caminhos a escolher Que decisão posso tomar? As vezes tenho medo de viver Mas não posso me calar As várias faces desse prisma me assombram Porque nem todas são reais Quais são as faces que somam? Do que eu sou realmente capaz? A minha essência eu ainda desconheço  Mas pretendo descobrir O meu caminho também é incerto Mas caso ele não apareça, eu que vou construir.

Atividade de casa 1 - Kayo Oliveira

 Roda viva. Vi o mundo girar. Aqui, sobre a areia, ora molhada, ora seca; sob o sol e em frente à água, às vezes desejando enfrenta-la, às vezes enfrentando-a. É o mesmo lugar, são as mesmas árvores, a mesma grama, a mesma areia, o mesmo eu. Todavia já não é o mesmo sol. Não o mesmo de cinco anos atrás quando eu corria pela areia com amigos completamente diferentes entre si, mas que compartilhavam visivelmente uma vontade insana de viver; de alma jovem, corpo adolescente, tardes quentes e abraços felizes. Tampouco o mesmo que iluminava as emocionantes e rápidas viagens de uma hora, quando eu fazia cinco, só para ir ao shopping. E talvez nada seja o mesmo. Não é a mesma água, a chuva a fez nova; Não a mesma areia, ventos novos trouxeram essa; Sequer a mesma pele, cabelo ou amigos. Tudo ainda parece o mesmo, só que agora menos livre e mais diferente.

Atividade repentina 1 - Kayo Oliveira

Só. O peito aperta, a alma afaga. Sinto a dor do esforço acumular e o descanso se esvair. Não dá para parar, nem desacelerar. O movimento é constante, incessante. Talvez ao parar, eu voe... Mas meus ossos pesam. Corre o rio e o sangue. As pernas doem. A cicatriz, que outrora esteve aberta, ainda incomoda - visual e fisicamente. O som e a luz fazem a cabeça emergir, mas algo puxa para o mergulho... O mergulho raso no ser e no não querer ser.

Atividade 1 casa- Daniela Soares

Corredor São onze e quarenta e cinco da manhã, pelo menos é o que diz o relógio que está pregado na parede, um relógio branco, sem muitos detalhes, frio como todo resto de itens que se encontram no estreito corredor. A expressão dos que estão ali é de não querer estar, ansiosos para voltar para a correria do dia a dia, já que esse momento, esse lugar é de parada… parada para pensar na própria vida, na tarefa do trabalho, aquele prazo que está se findando, no que fazer para a merenda das crianças. Nossa! Se demorar mais um pouco já deu a hora de buscá-los.  Após não ter mais o que pensar, o tédio toma conta, uma senhora puxa assunto, comenta sobre o tempo… (assunto clichê). Todavia, ouso dar-lhe atenção. Não sei, ela me fez lembrar da minha avó.  Os assuntos foram se emendando, de forma a encadear uma linda história de vida. Aquela senhora esguia, com seu vestido estampado, arquinho na cabeça, com seus cabelos grisalhos, sandália de palha e uma sacola daquelas de loja...

Atividade de casa 1 - Vânia de Souza Vieira

Amanhece o dia, ouço o som da tv ligado, vozes dos participantes do programa Encontro. Minha mãe estava na sala assistindo, se esforçando para ouvir o que estavam falando pois ela não ouve muito bem.  Permaneço na cama ainda, e levanto para tomar café com ela. A hora já estava adiantada, então ela já havia feito o café, tomou o mesmo, mas deu primeiro um pouco para São Benedito, santo padroeiro das empregadas domésticas e a quem ela sempre pede intercessão para que nada falte a nossa família. É uma mulher guerreira de 76 anos, de uma fé inabalável, fez duas cirurgias nls ultimos 6 anos, viuva há 10 anos, mesmo utilizando andador em virtude da artrose, ela não para um segundo, cozinheira de mão cheia, faz uma feijoada que ninguém faz igual, e se mexer com algum dos seus filhos ou netos... sai debaixo pois vira uma leoa. Aqui na casa dela nosso refúgio e suporte. Ela ama assistir tv até de madrugada. Ela é minha rainha. Venho visitá-la sempre que consigo e cá estou eu na terrinha e l...

Escrita Repentina 1 - Vânia de Souza Vieira

 Atividade 1 - Escrita repentina. Hoje! Acordo cedo e vejo através das novelas o ir e vir dos carros. Vejo as pessoas muitas vezes invisíveis pela sociedade lutando pelo pela sua sobrevivência. E ao olhar volto para dentro de mim e busco na minha essencia minhas limitações mas minhas vitórias e o quanto sei que posso mudar minha história há muito negada e desrespeitada. Mas eu assumo meu eu e assumo ser protagonista da minha história pois preciso valorizar e ser sujeita da minha historia. O hoje é o que tenho e só hoje posso ser uma pessoa melhor.

Escrita Repentina I - Thalia Mutuana

Não sabia muito bem por onde começar a escrever. Fitava os livros empilhados na estante e alguns outros espalhados pela escrivaninha em busca de alguma referência, talvez. Certos livros disputam lugar na mesa branca com diários de classe azuis e cópias de provas que sobraram nas últimas semanas, claros lembretes das responsabilidades que tomavam o lugar do escrever . 

Atividade 1 casa - Eduardo Crespo

Michele e Ariel  Duas gatinhas de pelo branco com manchas escuras pelo corpo. Essas gracinhas, que eu considero minhas filhas, são totalmente opostas. Em aparência — tudo bem — se assemelham bastante, já que são filhotes de mesma mãe. Exceto, no entanto, por uma peculiar mancha preta entre os olhos de Michele; mancha esta que Ariel não possui. Ficaram então, cada uma, conhecidas na família pelos singulares apelidos: “gata de cara preta” e “gata de cara branca”. A “de cara preta” é quase uma madame, muito calma e comportada, menos quando alguém arremessa uma bola de papel para ela pegar, porque aí ela deixa seu “espírito animal” vir à tona. Já a “de cara branca” é extrovertida e rabugenta ao mesmo tempo; sobe em todos os móveis possíveis da casa, dorme escondida no guarda-roupas, arranha minha poltrona o máximo que consegue, mas, quando não tem nada para fazer, aí resta seu olhar penetrante sobre mim. Fica me encarando incessantemente com aquele cômico ar de superioridade que só...

Atividade de casa 1

Sobre fotografar momentos     Fernando Pessoa dizia que o poeta é um fingidor. Eu vou além: afirmo que o poeta é um observador. Nós temos a capacidade de fotografar momentos com a nossa retina e imprimi-los no papel em forma de palavras. Hoje decidi imprimir um momento que já está gravado na minha mente a algum tempo: aquele instante em que te admirei por alguns instantes.     Era noite, a lua cheia iluminava o céu e a sua imagem do outro lado da rua, fumando um cigarro barato como se tragasse a vida e todos os prazeres que ela traz. Você usava uma camisa preta, bermuda também escura e havaianas. Seus óculos redondos e pequenos estilo Lennon estavam pendurados na gola da camisa e, por isso, apesar de olhar em minha direção, não percebeu que eu havia pousado meus olhos em ti. Não sei por quanto tempo fiquei ali, estatelada, observando essa figura que fazia o meu coração ter uma razão para bater, gravando na minha mente a sua imagem e guardando-a no lugar mais sagrado ...

Atividade 1 - Escrita Repentina. Brenno Martins

Estradas e paradas Ando buscando meu caminho e permaneço na estrada. Não sei bem se piso no chão que deveria, mas se não pisar, nunca terei a certeza do meu destino. Destino esse que muda a cada hora, junto com sonhos e desejos. Mesmo parando, cansado, nunca fixo meus pés por muito tempo, afinal, por que parar se não cheguei no meu destino?

Atividade repentina 1

      Eu costumo ter facilidade de escrever sobre os movimentos ao meu redor. Me inspiro até com uma formiga lenta que vai atrás de uns farelos no intuito de se alimentar. Entretanto, virar o olhar para dentro de mi não é tão simples assim. Dia desses escrevi que meu pensamento não é prosaico. Eu penso em versos. Escrever em linha reta é um desafio. Às vezes eu me olho e só vejo vazio. Às vezes eu tento preencher esse vazio. Às vezes faço as pazes com ele e tomamos um café juntos. Às vezes ele é preenchido com alguma sutileza do cotidiano. Às vezes ele assume o meu papel e escreve no meu lugar. E sem perceber ultrapasso o limite de linhas e vejo que escrevi quase uma lauda sobre assunto nenhum. A cobrança de se ter um tema, uma métrica, um roteiro é um grande incômodo presente em mim e no meu vazio.  - Leticia Barreto

Atividade 1 - Casa - M. C. Ribeiro

 Intimamente As dores do mundo são pesadas demais pra carregar sozinha. Mas ela, internamente, acha que deve a guentar essas dores sozinha. Ela anda como se o Everest estivesse em suas costas, mas caminha como se uma fina camada de penas a abraçasse. Ela reflete sobre as lamentações e entende que não pode diminuir a dor do outro mas acha que, intimamente, deve ajudar de alguma forma. Ela entende as dores do mundo mas, intimante, sabe que pra suportar as próprias dores, precisa anestesiar as dores dos outros.

Atividade 1 - Repentina - M. C. Ribeiro

Dentro de si Os desenhos coloridos demonstram certa parte da personalidade dela. Os card espalhados em um lugar que caberiam um outro desenho mostram outro recorte da infinidade de faces que ela possui. O guardaroupa antigo e faltando pedaços, está ali como uma parede que sustenta seus brilhos e opacidades. Ao lado direito e esquerdo dos produtos da criatividade dela, estão misturados coisas que são dela e do que é dos outros mas isso não a incomoda pois o que é verdadeiramente dela, está dentro de si.

Atividade de casa 1 - Emar Vigneron

  Silêncio   Nunca, nem mesmo em nossos piores pesadelos, poderíamos nos imaginar vivendo uma pandemia. Mas aconteceu e assustou muitas pessoas. Alguns se perguntavam: Vamos todos morrer? Não havia resposta, todos estavam perdidos diante do vírus desconhecido, inclusive os maiores pesquisadores do mundo. Estocar comida, comprar máscaras e muito álcool. Tudo tinha que ser limpo. Nas redes sociais, as informações se contradiziam: não adianta toda essa higienização; temos que nos proteger com luvas, álcool e máscaras; aglomeração não é permitida; especialistas dizem que deve-se evitar sair de casa. Haja fé, haja força retirada de não sei onde. As crianças estão assustadas, os adultos têm que fingir que está tudo sob controle. Em meio a esse terrível quadro, uma família, reunida no quintal da casa, está conversando.   De repente, alguém diz: Que coisa estranha! Nenhum barulho, nenhum grito, ninguém falando alto. Outro lhe responde: as crianças não estão mais brincan...

Atividade repetina 1 - Emar Vigneron

Vida O dia , acordar, que vontade de continuar a dormir. Mas não posso, pois a responsabilidade não deixa. Corro, faço tudo o que tenho que fazer, mas não gosto. Os compromissos são tediosos, mas impossível adiá-los. Triste, me arrasto no peso que tudo isto representa. Sonho em que chegue logo a hora de voltar a dormir. Vivo quando durmo. Dormir é fugir das dores e dificuldades da vida. Corre, tempo, por favor.

Atividade de Casa 1 - Luiza Pitangui

O vento gelado do fim do outono sacudiu seus ossos enquanto ela olhava a lápide suja, coberta de musgo e cercada de folhas secas que caíram das árvores durante a estação. Passos que quebravam as folhas mortas no chão a fizeram parar de contemplar a quietude mórbida e observar discretamente o homem que entrava no pequeno cemitério atrás de uma capelinha. Era um homem baixo, ombros largos mas nem tanto; usava botas militares, jeans surrados e um suéter bege de lã. Seu estilo era caseiro, diferente do sofisticado dela, ela observou. Carregava buquês em seus braços com delicadeza, mesmo que, ela supôs, ele seja um homem de trabalho braçal. Deixou o amontoado de margaridas na frente de um túmulo, que parecia ser recente pela cor da lápide —estava com pouco musgo— e foi em direção a uma outra lápide onde deixou um arranjo de flores, provavelmente silvestres, bem arrumado e colorido antes de murmurar algo que foi levado pelo vento. O homem voltou para onde deixou o buquê de bem-me-quer e, ...

Atividade Repentina 1 - Luiza Pitangui

 Céu. Acordo de uma noite mal dormida devido ao excesso de pensamentos, enrolada em uma coberta, abraçando um travesseiro de fronha laranja e sendo abraçada pela maciez do colchão; o céu nublado é meu conforto até que o nariz fique congestionado me obrigando a levantar de meu leito quente.  A televisão da sala está ligada, ouço a voz da repórter falando sobre, mais uma vez, uma troca de tiros em algum lugar que só conheço por nome, me sinto desconfortável, é sempre a mesma notícia; a voz é abafada pela conversa matinal, sobre a vida e outras coisas das quais não prestei atenção, para falar a verdade, nunca fiz questão de prestar atenção. Voltei-me para a cama em repouso, a manta cor de rosa me aquece novamente enquanto contemplo em silêncio os sons de fora. O céu está nublado, mas em algum lugar o sol já deu o ar de sua graça; espero poder ver tal acontecimento qualquer dia.

Atividade Repentina 1 — Olga A. Calderim

  Bocal Há um labirinto em cada um de nós, o meu é assim, meio paralítico, meio ranhoso; quando ingresso, o portal se desfaz nas bolhas que lavro no céu da boca; posso sentir seu penetrar nas paredes rosadas, no teto reluz uma diretriz em sânscrito — sempre há uma primeira palavra inteligível, porém, inclinada a se emancipar; no impulso de seu desatino ela toma fôlego, um fôlego asmático; à medida que os degraus persistem, as larvas se empertigam no solo quase estéril, espicham o pescocinho como goma, na décima mastigação perdem o gosto e "bum!", explodem na cavidade a borracha e o vácuo preenche o palato. Há um labirinto em cada um de nós, o meu é assim, silencioso e obstrutivo, morre antes mesmo de ganhar vida; se cala no invólucro da própria voz.

Atividade 1 casa - Karolinne Pedrini

 Ao meu redor. Não consigo olhar para ele. Ou ir até ele? Redor me lembra doer, me lembra solidão. Evoca sentimentos, desperta desejos. Desejos calcados. Calçado. Descalço. Despido. Mas tem verde, tem casas, pessoas, carros. Fluxo. Eu, refluxo. Mas me lanço ao redor para não doer. Doer mais. Roer. Quero estar em paz ao redor. Ao interagir. Ao buscar. Ao me lançar. Pois ainda há peso. Redor. Doer. Redes. Que conectam ou capturam. Quero ser e ter conexão ao redor. Ao entorno. Circular e refrescar meu interior. Com ares novos do redor. Redor da vida. Vou chegar lá!

Atividade de casa 1 - Sáyva Souza

Meu pequeno paraíso Respiro três vezes até abrir meus olhos e observar de forma atenta todos mínimos detalhes espalhados pelo meu quarto, as paredes rosas, moveis brancos, uma pilha de livros em cima de uma cadeira, a pequena lista de leituras das férias balança de forma graciosa pendurada à porta. Sinto como se estivesse olhando para uma organizada bagunça, o meu pequeno paraíso que sempre me deu "asas para a imaginação". Olho o lugar que sempre me perco, mesmo sendo tão pequeno. Olho mais uma vez em volta, vejo Tobias, o meu gato em um sono deliciosamente profundo, todo enroscado nas minhas cobertas, então, apenas tenho vontade de fazer o mesmo assim que colocar o último ponto, nesse pequeno devaneio. 

Atividade 1 repentina — Gabriel Coutinho

  Fluxo de Consciência No meio de um oceano vazio e sôfrego regado por um azul brilhante, com a pele ardendo e a garganta seca, as ideias surgem como pingos de chuva espaçados. Pouco a pouco vou me saciando dessas gotinhas e recuperando as forças. Mas a alegria dura pouco, pois a ansiedade da saciação clama por mais água. O azul vira cinza e as pequenas gotas se tornam em uma verdadeira tempestade de pensamentos, revirando violentamente o pequeno barco da minha sanidade. Por que será que insisto em me entregar irresponsavelmente àquelas pequenas gotas de água?  

Atividade 1 Repentina - Karolinne Pedrini

 Peguei caderno e caneta. Os dedos não estão engessados pois tenho escrito a mão já há algum tempo. Trocando os teclados pelas palavras desenhadas pelos meus próprios dedos. O convite é falar de mim. E não posso fazê-lo sem antes meus olhos marejarem um pouco. Falar de mim. De mim! Parece e é difícil. Enrolo, desvio o foco, me distraio com o barulho da vizinhança e do meu filho animado para ir passear com o pai. Tudo para mudar o foco. E o foco é falar de mim. Acho que posso falar de mim hoje, no hoje. O tempo está nublado, assim como meu interior, meio acinzentado, chuvoso. Mas o clima está fresco, agradável. Estou nessa ambiguidade. Dentro, fora. Fora, dentro. Sou mulher, esposa, mãe e algumas outras possibilidades. Mas essas três se sobressaem no momento. Também já fui profissional, psicóloga, clínica. Por quase 05 anos. Mas há quase 03 estou imersa em meu lar. Sendo que neste ano 2022 estou dando os primeiros suspiros externos. Extrapolando o território. Além casa. Pequenos pas...

Atividade Repentina 1 - Cacos - Pedro C Dutra

 Cacos Força de vontade, eu a tenho, eu a sinto. Mas como.. como a ansiedade ainda domina? Como insiste a queimar esse coração? Ora, deve ser dessa forma.. Não deve ser algo meu e, sim, algo de todos nós, criaturas vivas em um mundo de vidro. Um mundo que pode se despedaçar com um simples movimento. Ansiedade.. a luva fina que colocamos em nossas mãos para tudo o que vier e, com ela, recolhemos os cacos cortantes que vertem nosso sangue, os remendamos e continuamos.

Atividade 1 repentina - Eduardo Crespo

Longe... muito longe Estou andando sobre uma linha de trem que parece nunca acabar. Quando penso que estou chegando a algum lugar, descubro que ainda faltam muitos quilômetros e já me sinto muito cansado. De alguma forma, consigo ter energia para continuar andando, mas a linha sempre se estende, mais e mais... A pandemia trouxe essa sensação de uma caminhada interminável, que parece tirar sarro da nossa força de vontade.

Atividade Repentina 1 - Jorge Basilio Lirio

 Café extraforte      Bem, não gosto de falar dos meus sentimentos. Aliás, não sou muito afeito a escrever em primeira pessoa. A não ser para assegurar de que me coloco sempre do outro lado da mesa. Imagino-me tomando um café comigo mesmo, mas não consigo pensar que a pessoa à minha frente seja alguém que, intimamente, eu conheça. Prefiro imaginar que estou diante de outros eus. A perspectiva de sustentar os olhos do mesmo eu todas as manhãs no espelho do banheiro, já ranhurado pelo tempo, ou o reflexo nesse pequeno lago negro de café extraforte, por vezes me apavora.       Prefiro acreditar ser descendente daqueles escribas antigos, sem os quais a ordem de seus impérios ruiria. Não os imagino fazendo este pequeno exercício de autoconsciência, ou registrando um monólogo interior em papiro. Gosto de pensar no agitado ano de 1968 e em como Roland Barthes conclamava a morte do autor. Ou em nossa Clarice, a nordestina ucraniana com sobrenome l...

Atividade 1 Casa - Ana Caroline Soares

 Despertares É início de uma outra semana, de seguidos despertares matutinos e de variadas sensações ao abrir meus olhos. Neste momento, o que me chama à atenção primeiro é uma leve dor em meu ombro esquerdo. Penso e concluo que seja a posição ruim da qual dormir, por muitas horas, sem me mexer. Ao tirar o meu corpo da cama , faço o café e direciono me ao escritório. A maneira como coloco a cadeira para me sentar é levada até a janela. Não a como fugir dela, é o lugar do qual me encontro com a escrita, que, logo após isso, ouço um alto barulho de uma porta se fechando, percebo então uma coisa única acontecendo. Na varanda da casa vizinha em frente, havia um garotinho, gordinho, de cabelos pretos encaracolados e olhos azuis com a sua pele branca que tinha as mãos entrelaçadas e nervosas. Parecia lhe ser a primeira vez dele naquele ambiente. Com seus olhares varrendo tudo ao redor o mais rápido que conseguia, captando para si o máximo de informações possíveis, toda aquela inquietação...

Atividade Repentina 1 - Sáyva A. Souza

  Bagunça É difícil falar sobre algo que nem ao menos sei por onde começar... Uma verdadeira bagunça de sentimentos, cada um tentando falar mais alto e abrir seu próprio espaço, então por onde iniciar? Felicidade? Esta talvez não, não tem aparecido muito. Ansiedade? Vou deixar ela um pouco de lado, seu barulho vem sendo muito alto. Tristeza? Essa sim, talvez ela seja mais fácil de falar. Sua companhia é fácil de lidar, as vezes um pouco caótica, mas nada muito difícil de suportar... Ela se faz presente, e me acolhe verdadeiramente, principalmente nos piores momentos, ela está ali, aqui e acolá, talvez por ser mais fácil de "amigar". 

Atividade 1 repentina - Ana Caroline Soares

 Sensações  O primeiro momento que me vem é de ficar estática, fechar os olhos e respirar fundo. Se concentrar. Agarrar a calmaria, o turbilhão tempestuoso que são os pensamentos frenéticos em minha mente, para enfim, dar o primeiro passo. Escrever o que eu sinto, mas, isto tudo já não faz parte? Então, logo compreendo, a minha insensatez comigo mesma. Levanto o olhar do caderno e vejo através da janela a chuva serena e calma. E desejo. Desejo me tornar ela.