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Mostrando postagens de agosto, 2022

A igreja do Diabo — Machado de Assis

I De uma ideia mirífica Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez. Vá, pois, uma igreja — concluiu ele. — Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. H...

Atividade repentina 6 - Kayo Oliveira

  -Quero mais para o meu reino. Quero a hierarquia e ordem que tendes. Um novo exército, novas potestades, que possa viver entre eles, acompanha-los, absorver o doce sabor do pior que há nos humanos. O contraste claro e mundano entre bem e mal. Um contraponto equivalente aos vossos anjos de guarda. Algo para comandá-los enquanto mantenho a farsa da liberdade. Deus sorria ainda complacente, mas o Diabo podia ver nesse sorriso a parte de si que veio do Criador.   Era um fenômeno tão tríade quanto às histórias de santíssima trindade apresentada aos religiosos dele. O Diabo enfurecia-se ao passo que via o sorriso do Mestre. -Achas que és como eu? Teu contraponto equivalente é falho. Vieste de mim, da ira presente no antigo testamento. Precisas de algo bom em ti, para seres digno de ao menos te aproximar de meus pés. Entretanto, se queres possessões e maiores reinos, isso te darei. Tudo aquilo que afronte meu poder, me reforça como Eu Sou. O Diabo sorriu. Não agradecido, mas ...

Atividade de casa 5 - Kayo Oliveira

 O ônibus para heróis e vilões. Estávamos todos cansados. A luz apagada do ônibus fazia com que a luz luar fizesse as roupas cintilantes brilharem. O homem ao meu lado se cobria com sua capa vermelha. Ele não estava machucado, mas respirava fundo e pesado. Sobre nós, dois arcos e duas aljavas ameaçavam cair. Pertenciam a um homem e uma garota, os quais pareciam pai e filha, ou um homem velho com sua amante, que se sentavam a nossa frente. Os rostos desses dois estavam marcados por cicatrizes, pontos cirúrgicos e algumas pequenas feridas abertas e sangrando. Corpos esculturais, todos exaustos e jogados em seus assentos. Seus rostos permaneciam lívidos e complacentes com suas convicções. Até aqueles que carregavam mazelas e sombriedade no ínfimo de si, permaneciam lívidos e convictos. -Você não pode ficar aqui. – o motorista encapuzado disse para mim, com o ônibus parado em lugar qualquer – Esses heróis e vilões batalharam dias, semanas, se encontram cansados. Você faz o bem po...

Atividade repentina 6 - Izabelle Hagamenon

       — Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Antes de vir falar sobre uma vitória completa, deveria saber que até meu filho quando passou na terra perdeu alguns no caminho das virtudes. O Diabo bradou furioso por perceber que recebia agora o mesmo tratamento que seu antigo nêmesis recebeu um dia, mas não aceitaria a humilhação facilmente. — Porém os que desviavam de seus caminhos sofriam influência minha, portanto, se algum dos meus está a procura de bondade às escondidas, certamente é por vossa influência. Perguntas o que quero, pois vou lhe dizer, quero que aceite logo a derrota e deixe de influenciar os homens. O Diabo sabia que não podia confiar na totalidade humana, por conta disso, preferiu tentar a sorte de uma desistência divina. Por ter sua palavra espalhada pelo globo, já sentia o gosto da vitória em sua boca. Contudo, Deus com sua infinita sabedoria, cortou os planos d...

Atividade repentina 6 - Emar Vigneron

  - Que queres tu? Desde os primórdios, os homens, muitas vezes, não seguiam os preceitos de minha Igreja. Enquanto frequentavam e pareciam fiéis, por trás cometiam diversos tipos de pecados. Não agiriam diferente contigo. Segundo o relato beneditino, foi omitido que o homem, não sendo perfeito, sempre dá um   jeitinho de burlar as regras. Mas a humanidade traz a semente divina que o faz, sempre que pode, ter um ato bondoso. São os muitos "eus" que habitam o ser humano. O Diabo, cabisbaixo, saiu em direção ao inferno, completamente desiludido com a humanidade.

Atividade de casa 5 - Emar Vigneron

A Festa Tia Irene estava comemorando seus 60 anos. Toda a família se reuniria para a celebração. A minha mãe estava preocupada, pois há anos não os víamos . Eu sequer me lembrava de alguns deles. Havia uma tensão no ar em relação a como tudo transcorreria. Nos arrumamos e seguimos para a casa da aniversariante. No meio do caminho, ouvi meus pais conversando: - Será que ela mudou? - A vida muda muito as pessoas. Não a julguemos antes de vê-la. - Vamos esperar. Ao chegarmos à casa da tia, muitos carros estacionados. Desço correndo ao ouvir um barulho. Curioso, andei em volta da casa. Miau, miau . Meu Deus, é um gatinho. Se o achar, já estarei com a noite salva. Papai me gritou para entrarmos. Frustrado, tomei um susto com o palácio que se apresentou à minha frente. Não sabia que eles eram tão ricos. Entramos, todos estavam na sala e nos receberam muito bem. Devia ter umas 10 pessoas, mas eu não conhecia todas. Vivíamos em uma cidade muito pequena, a 3 horas dali. Meus p...

Atividade de casa 5 - Brenno Martins

Histórias do mato Josué se apressou para casa logo que anoiteceu. Estava de férias, sua família tinha uma casa na roça e ele adorava ir lá. Sua avó sempre o contava sobre o bicho que rodeava a região e, mesmo depois de adulto, nunca deixou de acreditar. Fazia séculos que era aconselhado a trancar bem as janelas e portas em noite de lua cheia, e foi o que fez. Ouviu um barulho no mato do quintal e pensou ser o seu cachorro, seu velho companheiro, mas seu coração virou gelo quando viu o amigo deitado no chão da cozinha. Ouviu um rosnado grave e correu para apagar as luzes e ficar em total silêncio. Agora, paçoca, seu cachorro, se encolhia de medo nos pés do dono. Josué se manteve imóvel enquanto escutava o barulho de algo rodeando sua casinha. Sem poder pedir ajuda e sem ter para onde ir, o rapaz apenas esperou o bicho ir embora. Uma vez que os barulhos se silenciaram, Josué foi até a janela e deu uma olhada pela cortina. Arrependimento imediato. Paralisado, travou seus olhos nos grandes...

Atividade de casa 5 — orientações

 Imagine uma cena ficcional e narre-a fazendo uso das diversas linguagens e formas de contar um evento. Abraços! Profª Érica Luciana

Atividade repentina 5 — orientações

Relembre de um fato ocorrido em sua vida e conte-o em poucas linhas e usando uma linguagem diversificada, como a que vimos no dia do curso. Abraços! Profª Érica Luciana 

Atividade repentina 5 - Juan Carlos C Dos Santos

O toque da melodia O vento deslizando pelo rosto, o toque sutil do tímido sol da manhã e os fones de ouvido calando o mundo exterior. Assim eu encaro o meu caminho de todas as manhãs, me preparando para preencher as lacunas presentes em minha rasa experiência. Os quilômetros se resumem a passos quando a melodia está presente, me colocando em um limbo entre o real e o imaginário, a música vem sendo o empurrão diário que me permite andar.

Atividade repentina 5 - Ana Caroline Soares

 Cores da vida Apesar da cor ama uma das minhas favoritas, e posso dizer a última de todas se eu fosse fazer uma lista, ela estava presemte abundantemente ao meu redor, me banhando, como a água, me dando sabor, como um delicioso quijo, me iluminando, como o sol. E isto, inclusive preenche a minha manhã de alegria ao invés de sombras, trevas e medos, que é a cor preta. 

Atividade repentina 5 - Kayo Oliveira

  Gritos ao vento A música passava lenta e assertiva pela minha garganta. O vento no rosto parecia congelar cada canto. A melodia, ouvida a quilômetros, não permitia conversas verbais. O cantor mexia as mãos conforme as notas subiam ou desciam de tom. Imitando pés de bailarina, eu podia vê-los ao longe, abraçados e aos beijos. O céu de sol poente deixava uma aura rosácea romântica ao redor de todos, mas o frio ainda me acertava ao rosto, cortante. Um nó na garganta e a boca seca. As borboletas no estomago voltam a ser lagartas e me corroem. Na minha cabeça, eu corro para a praia e grito forte, até perder as forças e cair na areia molhada. Agora eu estou no palco, os holofotes me cegam, aquecem e fazem minhas lágrimas evaporarem em raiva. Isso nunca vai acontecer novamente, diz meu bilhete metal.

Atividade repentina 5 - Emar Vigneron

  Encontro Uma reunião de pessoas voltadas para áreas de bem-estar humano era sempre bem vinda. Mas, ao entrar no recinto, senti um aperto no peito, arrepios estranhos, um odor muito diferente do incenso que acalma, traz a paz e nos faz sentir bem. Em vez de mantras e músicas instrumentais que adoçam nossos dias e nos leva ao amplo sentimento de integração com o universo, um rock pesado, que, em meio ao silêncio, soava como um trovão anunciando uma tempestade. Ao entrar no local da reunião,a falta de luz e o aroma de um incenso esquisito. Uma angústia tomou conta de mim. Sinto falta do bem-estar e paz profunda que sempre havia nessas reuniões. Me lembrei do Charles Manson, senti uma aura maligna no local e logo entendi

Escrita Repentina 05 - Paixão Unilateral

  Paixão Unilateral Acordei de mais um sono inquieto. Levantei, não sem certa dificuldade, e direcionei meu olhar para rosto lívido que me encarava do outro lado do espelho de meu guarda-roupas. Aquelas sombras negras que marcavam o espaço entre meus olhos e as maçãs do meu rosto faziam questão de não me permitir esquecer da natureza deletéria dos meus hábitos noturnos. Quando finalmente me recordo do motivo do meu recentemente adquirido descuido por coisas banais como sono e fome, me dirijo desesperadamente ao celular num afã de ler aquelas injeções de morfina costumeiramente deixadas pelo meu maldito carrasco. 

Escrita repentina 5 - Brenno Martins

O perfume rodopiou pelo lugar. Sentado no banco de concreto eu seguia minha vida quando senti o cheiro de verão, de flores e grandes árvores. Olhei ao redor para encontrar de onde vinha, até que meus olhos bateram de frente com o mar, com as ondas e com o sol. Sua beleza era tamanha que senti falta logo que o vi se afastar, seguindo seu próprio caminho, e fiquei ali, pensando se o veria novamente outra hora.

Atividade de casa 4 - Kayo Oliveira

Confissões Fidelíssimas    “- Que lugar estranho. Aqui está quente... Vou tirar meu casaco. Quem é aquela... Espera... O que você vai fazer? Não! O bico do golfinho, não. Por que você fez isso? Cortar um animal inofensivo na guilhotina, seu monstro. -O que você deseja? – a silhueta saiu da sombra púrpura. Era uma bruxa, daquelas de desenho. Com vassoura e tudo. -Que eu desejo? Desapareça. – a bruxa seguiu para o fundo e passou por uma cortina – Então é ali a saída?! Segui em direção à cortina e quando passei, lá estava ela novamente. Dessa vez amarrada a um tronco. Fui me aproximando e senti algo pesar na mão, olhei, era uma tocha, acesa, iluminando o ambiente com uma forte luz vermelho alaranjada. Quando levantei o olhar novamente, a bruxa havia desaparecido e a tocha agora iluminava o corpo desnudo de Elisa. -O que? – perguntei em ar de exclamação, ela é exatamente a mesma. -Você vai me matar? – ela pergunta em tom ingênuo. -Eu...? – levantei a tocha para observá...

Atividade de casa 4 - Juan Carlos C dos Santos

  Coração pecaminoso e Alma arrependida A última missa do dia Uma ida ao banheiro Um mal estar passageiro E acabei trancada na paróquia Sem celular eu não podia pedir socorro Para completar meu marido é um tolo Vou esperar Deus agir Oro para que ele mostre um jeito de sair Caminho pela igreja escura Vendo os vultos das minhas memórias turvas A falta de companhia estava me fazendo refletir Sobre todos os bons momentos que vivi aqui Minha mãe me ensinou a andar por esse caminho Mesmo negando tudo o que fugia disso Agradeço diariamente por estar viva Afinal essa não é uma má vida Meu marido me ama E isso é bom não é? O que estou falando? Esse é o sonho de toda mulher Nossos corações são pecaminosos Temos que tomar cuidado Minha mãe dizia que eu devia abrir os olhos As vezes nossos sentimentos podem estar errados Lembrei de amiga que me trazia alegria Estar com ela era sensacional As manhãs na catequese eram as mais lindas Foi bom até meu coração se voltar para o mal Pensamentos impuro...

Atividade de casa 4 - Ana Caroline Soares

Armadilhas  Felizmente, hoje eu consegui chegar mais cedo em casa do trabalho. A patroa, Dona Marlí, já não queria me ver em sua casa ,e sim, ir aproveitar o resto da noite com o marido, em vista de sua chegada de viagem do serviço. Com isso, posso entrar na igreja antes de todos, sem os olhares de ninguem, pontualmente às 18 horas da noite, como faço todos os dias. Meu marido, Carlos, chegará mais tarde do seu emprego hoje, então farei a nossa janta depois que eu voltar. A fachada grande e larga da igreja, das cores brancas e amarelas, com seus aspectos antigos, se encontrava a minha frente. Entro e me ajoelho perto do primeiro banco, pego o meu terço, fecho os olhos, respiro fundo, e começo outra prece de agardecimento por mais um dia. Me perco no tempo que quando me levanto me surpreendo com as horas que são. A calmaria que me encontrei foi muito diferente de todo o meu dia, as crianças da Senhora Marlí estavam em casa, tive que chegar mais cedo no trabalho a pedido dela, em raz...

Atividade de casa 4 - Giselle de Paula

           Tenho o costume de sair do trabalho e ir à igreja todos os dias às 18h. Venho aqui agradecer a Deus pelos meus filhos, meu marido e por minha vida. Porém, hoje aconteceu algo. Adormeci no banco e, ao acordar, vejo que não há mais ninguém dentro do templo. Tento abrir a porta, está trancada. Reviro a bolsa procurando meu celular, mas ele não está lá. E agora?          Se eu estou sentada nesse banco de madeira dessa igreja, nesse exato dia e nesse exato momento, deve ter um motivo. Será que Deus me colocou presa aqui para refletir sobre minha vida? Mas sobre o que devo refletir? Minha vida é perfeita. Tenho meus filhos, todos formados, com famílias formadas, não me dão trabalho nenhum. Afastaram-se um pouco, tudo bem, é verdade. Mas são boas pessoas. Meu marido é um anjo. Apesar de nunca tê-lo amado o quanto eu gostaria, ele sempre foi considerado um bom partido. Trata-me bem, apesar de não ser muito bom de cama. Mas ...

Atividade repentina 4

 João e o parque     Manhã de domingo ensolarado. João acordara animado. Foi para o parque que ele vai todas as manhãs de domingos ensolarados, mas estranhamente não estava lotado. Havia algo estranho. O parque cheio de grama, bancos e brinquedos de criança localizado na rua de baixo estava vazio nesse domingo. Só João e o seu vazio preenchiam aquele espaço. - Para que correr? Onde quero chegar?     João decidiu desacelerar. Pensamentos existencialistas invadiam sua mente e ele resolveu sentar. - O que for meu vai aparecer quando eu menos esperar. Pra que procurar?     O sol ardente daquela manhã penetrava em sua pele e queimava como fogo, e foi esse mesmo sol que acendeu o rosto da moça sentada no banco do outro lado do parque, depois dos brinquedos de crianças, que estranhamente não estavam sendo invadidos pelo turbilhão de crianças.     Fosse um dia normal, João não teria parado e muito menos reparado naquela moça de pele cor de jambo, cab...

Atividade de casa 4 - Emar Vigneron

Fogo   Chego à Igreja, como faço todos os dias após o trabalho. Um hábito antigo que, provavelmente, adquiri quando estudava no colégio de freiras. Não posso mentir, dizendo ser uma pessoa católica quando, na verdade, tenho uma fé muito espiritualista. Mas cultivei o hábito de entrar na Catedral, às 18 horas, diariamente, ao sair do trabalho, para agradecer por mais um dia de vida. É uma coisa de que preciso, a ponto de me sentir culpada se não cumprir o ritual. Cheguei. 18 horas em ponto. Graças a Deus! Como sempre, a Igreja está vazia neste momento. Ajoelho-me e começo a rezar: Obrigada, meu Pai, por mais um dia ... que sono, como estou cansada! Também, não consegui dormir à noite, já que Marcelinho, meu filho mais novo, estava com febre.    ... Perdoe-me, Pai, mas estou sem concentração. Obrigada, Pai, por mais um dia ... vou me sentar um pouco, até meus joelhos doem. Meus olhos não conseguem se manter abertos. Nunca me senti assim, exceto quando criança, nas...