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Mostrando postagens de julho, 2022

Escrita Repentina 4 - Brenno Martins

A lenta vida na roça Vívian saía de sua cama mais uma vez, antes mesmo do céu clarear por completo. Com cuidado para não acordar seus três irmãos mais novos, se apressou para conseguir juntar os tocos de lenha que precisava para fazer café. Na roça desde que nasceu, Vívian nunca teve muito tempo para si, ou para fazer algo que gostasse. Desde a morte de sua mãe e do suicídio de seu pai, Vívian se tornou a referência principal de seus irmãos, cuidando deles com toda a dedicação que podia. Fazia mingau toda manhã com o leite de sua vaca magra, cuidava do almoço e também da janta, sem esquecer dos bolos que fazia para o café da tarde. Vívian queria algo novo, pensava, vez ou outra, sobre a vida na cidade grande, mas nenhum de seus devaneios era duradouro. Suas memórias de dias que foram felizes a prendiam no lugar pacato e silencioso, onde a vida parecia congelada. Ainda que quisesse, tinha medo de trocar seu olhar verde pelo cinza do concreto, perder seu lar e se jogar num mundo  nov...

Atividade repentina 4 - Giselle

  Muitas coisas foram construídas por ela naquele parque. O parque era dela e de seu amigo Lucca. Todos os dias eles iam brincar depois da aula. Localizava-se no alto, antecedido por algumas escadas e pelas salas de aula. Muitos amigos foram feitos, muitas memórias foram vividas ali. O parque da escola onde ela estudava tinha Algo. A menina não sabia explicar o que era esse Algo, mas sabia que ele estava lá. Em um fim de tarde de julho, ao brincar com o seu amigo Lucca, escutou barulhos estranhos. De repente, surgiu um menino no meio da escada que antecedia o parque. O pai estava junto. Deixou o menino no parque e voltou ao meio da escada, onde aparentemente desapareceu. O menino começou a brincar com eles e, apesar de ser uma criança mais nova, tinha movimentos muito ágeis.  - Lucca, tô com medo - disse. - Eu também. Quanto mais eles corriam, mais o menino corria atrás. Os brinquedos do parque pareciam estar diferentes, ventava muito, era um dia fresco, mesmo em uma cidade tã...

Atividade repentina 4 - Kayo Oliveira

 Masmorra em Estocolmo A sala estava fria e escura. O céu, sobre o teto de vidro, cintilava em estrelas dispersas. A lua nova não iluminava o cômodo e Paulo olhava a procura dela, enquanto se escondia de baixo da cama. Viu os pássaros migrarem sem saber se iam para o norte ou para o sul, já fazia tempo que a única visão externa era o céu sobre si e a bandeja com comida que era renovada todo dia enquanto ele dormia. Ver os pássaros passarem o deixou enjoado. Virou-se para baixo, mas a ânsia não resultava em nada além de dor e um grito oco e abafado. Em uma tentativa de cessar a dor, pressionou fortemente onde ele achava ser o estômago e o grito fraco rasgou o ambiente. Algo estava mais errado que nunca quando ele acordou naquela manhã. Às vezes o cômodo cheirava a ferro e sangue e o odor sempre vinha acompanhado de acontecimentos ruins. Naquela manhã, ele sentiu um cheiro exterior ao local em que se encontrava. Era algo como jasmim, incenso e algum doce – talvez goma de mascar...

Atividade repentina 4 - Emar Vigneron

  Introspecção Era uma rua movimentada, com muitas lojas e pessoas andando. As lojas eram atrativas, com muitas coisas bonitas que poderiam chamar sua atenção, mas Marcos nada via. Alguns passavam, cumprimentavam-no. Ele não percebia. O barulho do mar, os bares cheios, muitos em roupas de banho, mas nada o distraía do seu pensamento fixo. Árvores frondosas, bebês nos carrinhos, com suas mães ou babás. Quanta natureza, quanta beleza, o céu azul, um sol brilhante! Risos, conversas. Os prédios eram altos, muitos carros passando. Ele nada via. A única coisa que ocupava sua mente eram as luvas ensanguentadas enfiadas em seus bolsos. Sim, ele matara alguém, num ímpeto de raiva. Não suportou saber que seu sócio o roubara e que, por isso, estava fadado a não ter sequer algo para comer ou onde morar. O sangue não esfriara e ele ainda possuía um imenso ódio dentro de si, enquando as ondas quebravam na praia e risos ressoavam no ar.

Atividade de Casa 3 - Brenno Martins

Quando o bem cobre o mal Rúbio sempre teve seu jeito para tudo. Na escola andava com um grupo de brutamontes, mas sempre pagava um sorvete para seus amigos com o dinheiro que conseguia por aí. Quando mais moço, conseguia boas notas mesmo sem estudar, bastava uma conversa rápida com um dos magrelos da primeira fileira de sua turma. Até mesmo quando começou a trabalhar como caixa não perdeu seu carisma, sorria sempre que um cliente chegava na vendinha do seu João, sorria ainda mais quando vez ou outra guardava notas de cinco ou dez reais em seu bolso. “Que educado!”, dizia a esposa do vizinho, sempre que Rúbio a ajudava com as compras pesadas, mesmo que ele saísse da casa dela com mais em seus bolsos que entrou lá. O rapaz era sempre cercado de elogios e de pessoas que queriam sua atenção. Um ou outro falava algo absurdo, completamente irreal como “ladrão” ou “safado”. Rúbio? Jamais! Tão bom rapaz, amado por tantos. Inveja, quem fala assim quer ser como ele, tão amado quanto ele. Alguém ...

Escrita Repentina 3 - Brenno Martins

Quando percebi a gravidade da situação o fogo já havia consumido grande parte do prédio. A atmosfera ficou densa e escura, coberta por uma fumaça que encontrava minhas narinas como ácido. Tudo estava acontecendo muito rápido, pessoas correndo, o barulho do corpo de bombeiros se aproximando e o calor que aumentava cada vez mais. Consegui sair com dificuldade da minha loja, deixando para trás todo o meu investimento, meus sonhos e esperanças, enquanto o fogo saciava sua fome. Em cortes de cena, vi as roupas virarem cinzas, manequins se desmanchando e a fumaça aumentando. Fui salvo por um bombeiro que me tirou do desespero paralisante em meio ao caos do local e me guiou para o lado de fora onde eu vi o recorte amplo da cena, o prédio todo em chamas. Naquele momento percebi que o fogo consumiu bem mais que só a minha loja, e que agora, toda minha vida estava em cinzas.

Escrita repentina [25/06] Lucas Guilherme

  Ele adentrava o estreito corredor sempre que a sirene tocava. O som agudo da sirene ainda ecoava em meus ouvidos e logo ele aparecia. Franzino, com cabelos encaracolados e o mesmo tênis de sempre. As primeiras vezes que o vi era intermediado pelos fins de semana, como nas locadoras, aparecia nas sextas e retornava na segunda para entregar a obra escolhida. Não passava ali muito tempo, vinha ao fim dos recreios como se quisesse ampliar os intervalos. Depois de um tempo passei a encontrá-lo diariamente: corpo franzino, rosto assustado, olhos que pareciam pedir que lhe deixasse ficar. Já não mais se escondia entre as páginas do livro, escondia-se na penumbra da biblioteca no ponto cego do meu olhar que lhe mirava da mesa distante. A frequência diária também foi progredindo e noto que seus cotovelos ralados vão cicatrizando com o tempo. Noto seus olhos assustados e me pergunto o que lhe causara aquelas cicatrizes. De que queda seria possível lhe marcar os dois cotovelos? Decerto, uma...

Escrita repentina [11/06] Lucas Guilherme

  Sinto-me como o cronista e adio mais uma vez a escrita ao me perguntar se devo empregar a primeira ou a terceira pessoa. Empregar, que palavra engraçada em utilizar nesse momento, nesse país em que o desemprego assola milhões de brasileiros, mas a notícia contenta-se apenas em dizer que houve um recuo em relação ao trimestre anterior. Recuo? Talvez o mesmo dos personagens escritos por Sabino que pedem uma fatia de bolo mas se escondem ao fim do bar.   Assolam, assolam... como o peso dessas palavras escritas nos jornais eletrônicos que nada gravam, logo vão se perder, logo vão se esquecer... e voltar a pergunta ingênua: em que pessoa devo escrever neste sábado de junho de 2022. Ao menos, por agora, por recordar desse emprego, desse recuo, do que assolam mais do que primeiras e terceiras pessoas, uma escrita se antecipa.

atividade de casa - Luiza Pitangui

O Doutor Dias chuvosos eram uma benção é uma maldição; ali naquele beco, o sangue manchava o chão e era diluído pela água da chuva que, limpava o corpo de toda evidência do crime. A rua sem saída ficava entre um armazém e um prédio desativado, sem testemunhas; era um crime perfeito. Ricardo fora o primeiro a chegar na cena do crime, os olhos inteligentes ainda presos ao cenário sujo e deplorável que evidenciava uma parcela da perversidade humana. Uma jovem senhora; loira e branca. O vestido branco de verão estava ensopado e manchado do próprio sangue; ela estava olhando para cima, os olhos castanhos sem o brilho da vida estavam olhando para o céu nublado. Com dedos finos cobertos de couro preto, o detetive pegou um cigarro e o acendeu, mesmo com a consciência de que, com a chuva, ele logo apagaria. A chuva logo chegaria ao seu epílogo assim como a mulher que, na casa de seus quarenta, teve um trágico e precoce encontro com a morte. Duas tragadas, duas longas tragadas; Ricardo a...

Atividade Repentina 3 - Luiza Pitangui

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   texto um: Cinzas de um Sonho —Não!—a voz que saiu de minha garganta era humanamente impossível, mas saiu, com dor—Era tudo o que eu tinha!  O cheiro sufocante queimava minhas narinas, o gosto metálico de tanto gritar era o de menos quando ali, diante de mim, estava a concretização de um pesadelo.  O crepitar das chamas não era aconchegante, era a trilha sonora de um filme de terror, soava como risadas malignas aos meus ouvidos já surdos ao mundo. Tentei entrar ali, não havia razão para viver se toda a minha vida já estivesse queimando diante de mim; me impediram, gritei, arranhei —por que não me deixaram ir?  —Me deixe!—dessa vez minha voz não saiu, gritei mais alto pois eu mesma não conseguia ouvir minha voz, apenas quisera ter de volta anos de suor e um sonho. texto dois:  Apenas Parte do Trabalho O caos era barulhento, mesmo acostumado aquilo ali ainda doía em meu peito.  —Ferreira! Para a escada!—ouvi me chamarem, apenas fui.  Gritos, choro...

Atividade de casa 3 - Emar Vigneron

  Incêndio Centro de São Paulo, rua 25 de março, o coração do comércio mais movimentado da cidade. Um prédio está em chamas, outros foram atingidos. Há fogo, fumaça, curiosidade, falatório. Nos rostos, medo. Nos corpos, inquietações. Destruição do sonho de alguns lojistas e funcionários. Como se não bastasse a insegurança em que o país vive, tais como violência, Covid, falta de dinheiro e inflação galopante, vem esse fogo destruir o ganha-pão de muitos. Comerciantes, em pânico, angustiados pelo prejuízo que terão. Muitos choram diante daquele fogo ameaçador. Jovens parecem não entender a grandiosidade do evento e suas possíveis consequências. Pessoas são resgatadas pelos bombeiros, muitos deles bem machucados. Mas primeiro o fogo e os outros, depois os heróis que vieram acabar com aquele quadro ameaçador. Um grupo de pessoas está dando risada, outros aproveitam para fotografar com seus celulares. Uma senhora desmaia e é acudida pelos que estão ao redor. Cada um querendo saber...

Atividade repentina 3 - Emar Vigneron

  Tragédia Recebo um telefonema avisando que o prédio, onde tenho minha loja, está pegando fogo. O desespero toma conta de mim e saio correndo. Não posso subir para saber em que estado se encontra tudo o que possuo. Há muitas pessoas na rua. Tento obter informações, mas o tumulto é grande. Bombeiros correndo, pessoas histéricas gritando, curiosos observando, muitos rezando e dizendo: Deus, que desgraça! Mas nada de concreto consigo saber. Vejo as labaredas do fogo e, mentalmente, cada peça da loja sendo destruída. Ouço vozes, mas não consigo compreender o que falam. Alguns até riem. É uma tragédia. Soube, depois, que havia perdido tudo.   Emergência O telefone toca na corporação. Urgência. Um prédio na 25 de março estava pegando fogo. Saímos correndo e, como bombeiros, vamos enfrentar mais uma possível desgraça. Ainda não sei a extensão da situação. Chego até o local e, pasmo, ouço gritos, desespero e muito fogo. O fogo atingira outros prédios e ruas foram fechadas. ...

Atividade Repentina 3 - Eduardo Crespo

Céu Fechado, Loja Cinzenta O fogo já consumia tudo. As pelúcias estavam destroçadas; seus corpos se contorciam em cinzas e chamas, como seres macabros, distorcidos. As duas crianças, deitadas lado a lado, já não respiravam; haviam inalado fumaça demais. Uma garotinha de vestido branco e um menino de macacão azul. E no entanto, quem olhasse a serenidade em seus rostos acharia estarem dormindo, sonhando o que quer que fosse. Um passeio no campo... talvez uma brincadeira de pique. E as cinzas aos poucos salpicavam suas roupas, tornando-as escuras e sujas, manchadas, indistintas de todo esse cenário de destruição... Mas estava tudo bem. Como pássaros que levantam voo após um dia escuro e tempestuoso, elas já haviam partido para longe. Mas aqui estava o caixa eletrônico, ainda na bancada, apesar de tudo. Olhava-o com um sorriso irônico, porque algo em mim — não sei dizer o quê — ainda me instigava a levantar e tentar salvar algum dinheiro que pudesse. Dinheiro?... Que dinheiro? Deixaria...

Atividade repentina 03 - Karen Gomes

Tempo (lojista) Comecei a sentir o cheiro de algo queimando. A primeira coisa que eu fiz foi procurar alguma tomada que estivesse em curto circuito, mas não achei nenhuma. Em pouco tempo ouvi gritos e vi correria. Pensei rápido em tudo que precisava retirar dali, mas quando olhei a loja da frente já vi a fumaça subindo. Não imaginava que o fogo se alastraria tão rápido, corri com algumas roupas no ombro e finalmente cheguei à calçada e assisti o trabalho que levei uma eternidade para construir acabar em apenas dois minutos. A ficha ainda não caiu. Quem é um herói? (bombeiro) Muitos acham que ser bombeiro é ser um herói. Para mim isso é difícil, porque me cobro demais e tento afastar o medo sempre. Mas hoje o medo bateu forte. Um incêndio em um prédio de lojistas nos aguardava, e o herói aqui rezou o caminho inteiro para que não houvessem vítimas. Meu coração acelerou, os batimentos estavam fortes, sentia o meu corpo quente e a respiração encurtada. Quando finalmente chegamos e vimos qu...

Atividade Repentina 3 (lojista) - Queima de Estoque

 Queima de Estoque      Eu estava sentado no meu barato sofá bege manchado enquanto comia uma quentinha fria e assistia ao jogo do Bota Fogo na minha pequena TV de dez polegadas. Era um almoço qualquer naquele calorento escritório de quinze metros quadrados. De repente, vi no canto direito de minha visão periférica a luz laranja das inconvenientes chamas que consumiam o meu tão precioso fogão de quatro bocas.      Fiquei que nem um paciente do AACD: paralisado. A gente sempre pensa que essas coisas nunca vão acontecer conosco. A fumaça começou a penetrar minhas narinas e nublar meus pensamentos, mas eu precisava continuar focado, pois havia quatrocentos e trinta e sete reais e vinte e dois centavos na caixa registradora com gaveta eletrônica da loja. Com as pernas bambas de uma prostituta em fim de expediente, corri para salvar meu tão suado papel-moeda inflamável. Infelizmente a Julia, minha funcionária, acabou tropeçando na vassoura com cabo de aço r...

Atividade repentina 3 - Ana Caroline Soares

 Texto 1: Obstáculos da vida Ouço meu celular tocando. Pego - o e o olho e é o alarme. São seis horas da manhã. Levanto me, faço toda a minha rotina matinal antes de ir para a minha loja na 25 de março. Quando chego ao local após ter pego um ônibus a uma quadra da minha casa, começo abrindo e organizando o lugar para começar a atender os meus clientes. Tenho um dia bem cheio hoje, então encontro me indo almoçar mais tarde do que o costume. Despois de ter me sentado com a minha marmita em mãos e iniciado o meu almoço, sinto um forte cheiro de queimado. Saio de onde estou no mesmo momento para ir verificar o que poderia ser aquilo. Ao chegar a uma loja vizinha, percebo uma grande grande fumaça subindo e um fogo já crescendo e consumindo tudo e logo chegaria a onde eu estava. Meu pensamento seguinte é ir até as minhas coisas e salvar o máximo que conseguiria. Não queria pensar naquele momento o que será de mim se tudo o que eu tenho for queimado. Porém, a fumaça já havia chegado as mi...

Atividade de casa 2 - Ana Caroline Soares

  Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi  um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João. De repente, há um silencio, então imagino que ele deve estar concentrado em o que a pessoa do outro lado da linha fala. Poucos minutos após isto, ouço um barulho, como um baque de algo caindo no chão. Seu João estava agora estirado em frente a sua casa chorando descontroladamente com o celular ainda no ouvido. - Ela sentiu muita dor? Sim, estou a caminho. Com esta fala final, me lembro vagamente de a muito tempo não vejo a esposa dele. Quando ele se levanta e se dirige até seu carro e o perco de vista, tento ir dormir, mas demoro - o fazer, estou inquieta. Na manhã seguinte, ao conversar com meu marido, o próprio me informa que a quase um ano atrás uma ambulância surgiu em nossa rua, levou a dona Cristina e nunca mais foi vista por aqui. Desde então estava no hospital. Morreu de câncer. Eu sinto tudo no segundo em que formulo t...

Atividade de casa 2 - Vânia de Souza Vieira

Certo dia, por volta das 23 horas, estava em meu quarto quando ouvi um celular tocando. Era o celular do João meu vizinho do apartamento de cima. Morar em apartamento tem seus prós e contras. Antes do celular tocar João estava conversando com uma pessoa, mas não soube se era mulher ou homem pois a pessoa apenas chorava e soluçava e não respondia as perguntas de João. Assim que o telefone tocou por 3 vezes, João atendeu e disse: - Sim, aqui é o João e eu já te disse para não ligar mais aqui na minha casa. Deixe eu e minha família em paz. A voz do outro lado que não sei quem era, disse algo que deixou João apreensivo e nervoso. João após 15 segundos de silêncio disse: - Pelo amor que você tem pela sua mãe, não faça nada com ela. Vou arrumar o valor, mas te imploro não a machuque e João começou a chorar e implorar pela vida da pessoa que estava tentando salvar. De repente João começou a gritar: - Alô, alô, por favor responde. Alô e deu um forte e estarrecedor grito e prorrompeu em lágrima...

Atividade Repentina 2 - Vânia de Souza Vieira

 Escrita repentina 2 - Vânia de Souza Certo dia, estava na praça e admirava uma menina-mulher, que brincava com as crianças ao seu redor. Era dificil saber ali quem era mais criança pois ela se deliciava e vivia intensamente cada segundo das brincadeiras sem se importar com as pessoas que estavam vendo. Ela simplesmente vivia. Ela era gorda, negra, cabelo escovado as vezes, outras vezes natural mesmo, ela sempre estava sorrindo e passada a serenidade e uma calma que encantava quem a olhava. Era muito feliz e alegre e transmitia esta alegria a todas as crianças e se esparramava sobre todos que assistiam. Mas um dia esta menina-mulher começou a mudar. Veio a pandemia e estas atividades com as crianças precisou ser suspensa. Aquele sorriso, aquela alegria, aquele amor pela vida foi se esfriando e sumindo, inclusive ela. Esta menina foi sumindo e a mulher passou a ficar triste, mas tinha uma coisa que a fazia brilhar, era quando estava perto de sua família de origem, em sua cidade nata...

Atividade de Casa 2 - Brenno Martins

Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João.  Curioso como sou, fiquei perto da janela com vista pra rua. O rapaz parecia surpreso com a ligação. Encostou no muro da minha casa, colocou no chão uma sacola que carregava e se ajeitou, como se quisesse prestar mais atenção na ligação, e seguiu falando. - Sim! Fui eu mesmo! É uma quantia boa, mas não sei o que fazer. Pensei em não falar com ninguém por agora. João olhava para os lados como se temesse encontrar alguém, olhou até mesmo para minha casa, mas de onde estava não conseguia me ver. Ele demonstrava nervosismo em sua voz, mas escutava atentamente aquela voz do outro lado da linha. Num assunto um pouco estranho, dizia como estava com medo de alguém vir atrás dele, e que precisava ir para casa rápido. - Carlos, o dinheiro já está comigo! - disse nervoso. Mas eles vão vir atrás de mim, tenho certeza. Deu pra ver no olhar daquele ...

Atividade 2 - Casa

 Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi  um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João - disse o homem que passava perto da minha casa. - Oi, Sandra. - continuou de forma séria - Não estou em casa, mas pode falar. A voz do outro lado fez o homem fechar os olhos, suspirar, depois abri-los e olhar para cima, como se segurasse as lágrimas. Fiquei observando enquanto aguardava o Uber. - Você tem certeza? - disse o João. Não consegui ouvir o que a tal da Sandra respondeu, mas João ficou em silêncio por aproximadamente 10 segundos, devia estar pensando em uma resposta. - Certo. - respondeu e suspirou novamente, de maneira calma e conformada - Vou ligar para a funerária e agir as coisas.  Uma pequena pausa se sucedeu. - Sim, ele tinha plano - continuou o homem de baixa estatura, magro, calvo, de pele alva e meia idade. Dessa vez, com o tom de voz alterado, pronunciou: - Me arrepender de quê? Ele que errou! Diferente ...

Atividade Repentina 2 (25/06)

      Aquela menina, pequena, magrinha e franzina vivia no mundo da lua. Alguns olhavam aquela menina como olham para qualquer menina, mas eu a olhava com olhar de quem lê poesia.  Ela era toda ela, não se importava com nada, apenas em brincar de viver a vida a sua maneira. Parecia que ela morava em um planeta onde a única nativa era ela; eu era estrangeira.     Aquela menina, pequena, magrinha e franzina tinha a pele cor de doce de leite e os cabelos curtos, enrolados e escuros; mas deixemos de lado a aparência. Aquela menina era dona de uma personalidade singular. Certo dia, inventou que só queria comer linguiça. A mãe fez outros pratos, e ela não comia. A barriga roncava, mas ela esperava pela linguiça. Até que a mãe foi vencida. E assim era ela: não dava o braço a torcer nem se Jesus descesse dos Céus e mostrasse, com calmaria, que ela estava errada. Geniosa, orgulhosa, áspera e amarga: assim chamavam aquela menina. Mas eu a via de outra perspectiva. Eu...

Atividade de casa 2 - Sáyva Souza

  Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi  um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João - ele parecia meio irritado - é obvio que estou irritado - disse ele falando um pouco mais alto ao telefone. Me aproximei um pouco mais vendo o estranho, algo em meu interior dizia para eu me afastar e que aquela conversa não era de minha conta, mas minha curiosidade que cochichava ao pé do meu ouvido, acabou falando mais alto.  - Você não é nenhuma criança, sabe disso - continuou o estranho - eu falei que não encontrava o remédio, você poderia ter se oferecido para procurar, sabe que eu não gosto de pedir ajuda.  Como outra pessoa vai entender que você quer ajuda se você não fala? Pensei com meus botões.  Ele mexia com os dedos da mão livre, parecia algum tipo de tique nervoso, também andava de um lado a outro da calçada, e com o passo que aquela dava, ele parecia um pouco mais calmo. - Tudo bem, conversamos...

Atividade de casa 2 - Giselle de Paula

  Certo dia, por volta das 23 horas, eu ouvi  um celular tocando na calçada da minha casa. Um pessoa atendeu e disse:  -  Alô! Sim, é o João.  Ouço passos. O João fica batendo o pé na calçada. Aparenta estar nervoso.  - Se foi ela quem pegou o dinheiro com você, cobre dela! - disse, aparentemente já desligando.  - Você me disse que não ia mais pegar dinheiro emprestado. Você mentiu pra mim. Falei que ia te ajudar enquanto você estivesse apertada. - disse de novo o tal João no telefone. Chego na janela para ver quem é o tal João. Um homem alto, robusto. Bem bonito até. Como estou bem perto, escuto a voz do outro lado do telefone. É voz de mulher. Será que é a esposa? Ele tem uma aliança de ouro na mão esquerda. É casado. - Isso não é omitir, Aline. É mentir. Se você fala que não vai fazer uma coisa e você faz, você está mentindo, não omitindo. A discussão continua por cerca de duas horas a fio. Escuto tudo. Durmo, acordo. Fico pensando. Mentira ou ...

Atividade repentina 2 - Emar Vigneron

 Vida   O dia , acordar, que vontade de continuar a dormir. Mas não posso, pois a responsabilidade não deixa. Corro, faço tudo o que tenho que fazer, mas não gosto. Os compromissos são tediosos, mas impossível adiá-los. Triste, me arrasto no peso que tudo isto representa. Sonho em que chegue logo a hora de voltar a dormir. Vivo quando durmo. Dormir é fugir das dores e dificuldades da vida. Corre, tempo, por favor.

Atividade 2 - Repentina - Ana Caroline Soares

Crescimento  Ela finalmente chegou. Uma menina que é muito quieta e calma, diferente das minhas outras colegas de classe. Ela, assim como eu, possui 10 anos de idade e nossas semelhanças acabam por aqui, e isso também do nosso grupinho feminino. Os seus cabelos negros e levemente enrolados e compridos, destaca-se na multidão de nossa sala de aula. O seu nariz fino e arrebitado não poderia ser mais querido. sei pouco dos seus verdadeiros gostos. Mas já entendo a sua personalidade com o convívio que tivemos neste primeiro mês de estudos. Vergonha, medo e covardia estavam sempre presentes nela no momento propício de fazer uma nova amizade. Quando o desastre acontecia, e arremessavam-lhe palavras como antipatia, eu corria para salvar seu ser da ruína. explicava-lhes sua dificuldade de comunicação, seu defeito, uma garota antisocial.  Certo dia, ela chorou em sala e isso me fez lembrar de um ano passado do qual o mesmo se fez. Assim que o desamparo aparece, o nervosismo também. Est...